A REVISTA BRASILEIRA DE AVIAÇÃO MILITAR   

Nas Bancas
Clique na capa para vê-la maior
Edição nº 110

Fev./Mar.


 Capa
 Neste Número
 Nº Anteriores
 Action Editora
 Links
 Contato
Edição nº 110  
 Fevereiro de 2018

Editorial

A tão propagada fusão entre Boeing e Embraer, é fundamental neste exato momento para ambas as empresas. O planeta é o tabuleiro do eterno jogo de xadrez do mercado aeroespacial e este movimento é desejoso, crucial talvez, para ambos. Explico. A empresa de Chicago e o governo norte-americano deflagraram a crise ao apertar a Bombardier, impondo à ela 300% de taxas se quisesse vender aeronaves à Delta Airlines e, por tabela, o governo canadense na eterna questão dos subsídios governamentais àquela empresa – uma perene reclamação da Embraer mas que migrara para a Boeing à medida em que o tráfego aéreo aumentou, fazendo com que as aeronaves regionais encostassem cada vez mais nas áreas de atuação das gigantes Boeing e Airbus. No Canadá de Justin Trudeau, questões nacionais são tratadas com entusiasmo, principalmente se identificadas desvantagens à província de Quebec, coincidentemente onde se encontra a maior parte da Bombardier. A pressão acabou levando à absorção pela Airbus da linha da Série C de 100-150 lugares, um segmento que deve demandar cerca de 6.000 novos aviões nos próximos 20 anos. No papel a Airbus terá 50,01% da linha, mas na realidade o controle será total sobre os aviões comerciais da Bombardier. De repente, a Boeing se viu diante do fortalecimento de sua maior rival e sem um produto para enfrentá-la. Qualquer desenvolvimento de uma aeronave nova levaria tempo demais e o único avião que garantiria à empresa norte-americana uma rápida resposta no quesito time-to-market era o esperado E-2 da Embraer, considerado o melhor avião de sua classe antes mesmo de entrar em serviço. Além disto, desenvolver e fabricar aviões no Brasil é mais barato do que montá-los no primeiro mundo, e isto é uma vantagem competitiva. Assim, o que já vinha se configurando há alguns anos para aqueles que ousavam olhar para a frente de forma analítica, se torna emergencial, hoje, para a Boeing. No caso da Embraer, a joint venture Airbus-Bombardier também a coloca em situação difícil. Se para a gigante americana, enfrentar o novo conglomerado é essencial, para a empresa brasileira, cujo grosso da venda vem da aviação regional, e que vinha, assim como sua rival canadense, evitando invadir o mercado dos dois gigantes, o futuro se torna muito complicado. Os cachorros grandes finalmente chegaram à briga. Estima um dos mais capazes especialistas do meré importante que, desde já, fique muito claro que muito mais importante do que a empresa, é a capacidade industrial aeroespacial brasileira e o discernimento que foi adquirido por todos os seus integrantes ao longo dos anos, desde que o Marechal-do-Ar Casimiro Montenegro teve que pousar em pane nos pastos de São José dos Campos, o que acabou resultando no CTA, no ITA e, posteriormente, na própria Embraer. Entre todos os programas de defesa atualmente sendo levados a cabo pela Empresa Brasileira de Aeronáutica, o mais importante, de longe para a Força Aérea é o do caça F-39 Gripen, um projeto que, diga-se de passagem, não era o mais popular para a companhia. Há quem diga que ela preferia o F/A-18, da Boeing num possível prelúdio a ações futuras, ou ao menos uma predisposição de quem já então queria ser vendido. Mas a verdade é que, assim como o avião leve de ataque A-29, e o cargueiro KC-390, a mola mestra que impulsiona estes programas não é a indústria, mas a Força Aérea Brasileira, que vem gerenciando cada um deles de perto, vislumbrando a indústria como meio de supri-la de vetores necessários ao cumprimento de seus objetivos estratégicos e suas missões e não como um fim em si. Inteligentemente, a Força Aérea dividiu o programa entre diversos polos de tecnologia visando evitar a concentração do aprendizado e assim abrindo caminho para um futuro no qual novas soluções terão que ser adequadas às suas necessidades operacionais. Por exemplo; o desenvolvimento da estrutura do avião se concentra na empresa Akaer, a aviônica é desenvolvida na AEL, em Porto Alegre, a logística e manutenção dos motores e sistemas já possuem solução. E mesmo a montagem final, o programa de ensaio e a homologação da aeronave hoje previstos para as dependências da Embraer em Gavião Peixoto poderiam alternativamente ser feitos em São José dos Campos. O item estratégico mais importante para o país no que diz respeito ao Programa Gripen reside no domínio do desenvolvimento e manutenção de todo o software e a integração de sistemas da aeronave. É este o fator que irá possibilitar uma visão de raios X sobre cada faceta do programa e isto afeta não só a aeronave, seus sensores e armamento no estado atual, mas, talvez até mais importante, a sua capacidade de crescimento futuro. Para abrigar estas atividades foi criado, em Gavião Peixoto, o Gripen Design Development Network (GDDN). É ali que será desenvolvida toda a integração de sistemas, sensores e armas da aeronave. Integrada diretamente às redes computacionais da Saab, na Suécia, esta rede será responsável por adquirir e gerir o grosso da tecnologia transferida daquele país para o Brasil ao longo do programa, elevando o nível tecnológico da Força Aérea bem como da indústria como um todo. Dificilmente uma empresa que disputa o mercado mundial de aeronaves de combate irá abrir seus segredos e procedimentos para outra, controlada por um concorrente. Aprendemos isto durante os programas AMX, A-29, F-5M e A-1M. Sentimos isto de perto no Brasil durante a discussão dos famosos “códigos-fonte” cujas informações e segredos alguns fabricantes não estavam dispostos a passar durante a concorrência do programa F-X2. O GDDN poderia também, no futuro, servir como base para o desenvolvimento de novos produtos de maior interesse comercial para a controladora da nova empresa, mas não necessariamente para a Força Aérea Brasileira. Portanto, segregar as atividades do GDDN transferindo-o hierárquica, lógica e fisicamente para o Departamento de Ciência e Tecnologia da Aeronáutica (DCTA) parece ser uma decisão estratégica fundamental e uma solução de custo baixo, se comparada com a dimensão e o potencial do negócio em pauta. A Embraer seria evidentemente mantida no programa com grande carga de trabalho, inclusive com participação no GDDN, mas sem, no entanto, colocar em risco questões relativas à segurança nacional. É importante que o país não se deixe levar no futuro por ofertas comerciais capazes de afetar o Programa Gripen e assim atrapalhar os objetivos da FAB, que são os de construir sua defesa aérea de agora e das próximas décadas sob a égide da eficiente dissuasão, operando nas mais diversas áreas da guerra aérea com seu bem planejado e provisionado vetor. Ao longo do ciclo de vida de três a quatro décadas em que o F-39 operará na FAB, serão necessárias novas capacidades ainda não cobertas pelo atual contrato de desenvolvimento e fornecimento. Ocorrerão inúmeras atualizações de software e a integração de novos equipamentos e capacidades, bem como novos avanços tecnológicos hoje sequer vislumbrados. A associação atualmente na mesa tem tudo para andar muito rapidamente nas próximas semanas, e seu fulcro ainda não é o Programa Gripen. Mas se a necessária segregação dos pontos focais do programa não for endereçada imediatamente, ele logo entrará num imbróglio que tem tudo para se tornar um pântano comercial e político. E se terá jogado fora o mais bem desenhado programa de defesa jamais montado no país.

 


Índice

Flanker G        
Clique na Imagem para vê-la Maior
Os Su-30MK2V da FAV e o Balanço de Forças no Continente
Por: Rudnei Dias da Cunha

Doze anos após serem recebidos pela Força Aérea Venezuelana, os Sukhoi Su-30MK2V “Flanker G” continuam sendo um importante vetor de combate dentro do cenário sul-americano. Para muitos analistas, ainda os mais capazes do continente.   Pág. 38

Meteor        
Clique na Imagem para vê-la Maior
Tiro a Longa Distância!
Por: Leandro Casella

Integrado aos principais vetores de combate europeus, entre eles o Dassault Rafale, o Eurofighter Typhoon e o Saab Gripen, o míssil BVRAAM Meteor é fruto da colaboração de seis nações: Reino Unido, Alemanha, Itália, França, Espanha e Suécia, o que faz dele o mais ambicioso projeto de colaboração europeu para desenvolvimento de mísseis. Fabricado pela MBDA, o míssil entrou em serviço operacional em 2016, alardeando ser o melhor míssil BVR da atualidade e um sério candidato a equipar os futuros F-39 da Força Aérea Brasileira.   Pág. 22

Vidsel        
Clique na Imagem para vê-la Maior
Aqui Nascem as Armas da Europa
Por: Carlos Lorch

No extremo norte da Suécia existe um grande campo de provas e homologação que se tornou o mais requisitado local do tipo na Europa. É ali que têm sido realizados todos os principais testes dos mais importantes programas de armas do continente, bem como exercícios que exigem o emprego de armamento real. Recentemente, a Revista Força Aérea esteve naquelas paragens geladas para conhecer de perto o Campo de Provas de Vidsel, onde se darão, no futuro próximo, os ensaios que tornarão o Gripen E, a arma avançada que se pretende para as Forças Aéreas da Suécia e do Brasil.   Pág. 30

Controlar!        
Clique na Imagem para vê-la Maior
O DECEA e a Consciência Situacional da FAB Sobre o Imenso território
Por: Leandro Casella

Controlar. Defender. Integrar. Estas são as diretrizes que a Força Aérea Brasileira elegeu como seu foco operacional na Campanha Dimensão 22. A partir deste número faremos uma análise de cada uma destas missões, mostrando como elas são realizadas e sua importância para a FAB e para o país. Começamos pela tarefa de controlar. Atividade fim do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), é também a base de toda a Dimensão 22. Porque, sem o controle efetivo da imensidão do nosso espaço aéreo, fica difícil, para não dizer impossível, cumprir as duas outras missões. É só a partir de uma vigilância aérea segura e eficaz, que se pode defender e integrar um país continental como o nosso.   Pág. 48

Os Anjos da Guarda!        
Clique na Imagem para vê-la Maior
A Atuação do Pessoal de Apoio do 1o Grupo de Aviação de Caça na Segunda Guerra Mundial
Por: Marcelo Ribeiro da Silva

Nenhuma aeronave da FAB durante a campanha da Itália levantava voo sem passar pelas mãos de mecânicos e especialistas extremamente dedicados. Eles eram os responsáveis por deixar cada P-47D pronto para a próxima missão sobre os campos tomados pelo inimigo. Não importava em que condição chegava o avião na surtida anterior. Seu trabalho era deixar o Thunderbolt pronto para mais uma decolagem e para cumprir com sucesso seu próximo objetivo.   Pág.  74

                                                                                                                                                                                                               

 
 

Copyright © 1995 - 2018 - Action Editora Ltda. Todos os direitos reservados.
Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização