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Edição nº 105

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Edição nº 105  
 Maio de 2017

Editorial

A recente, corajosa e fundamental decisão do Almirantado liderado pelo Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira, de desativar o Navio-Aeródromo (NAe) “São Paulo”, pode, sem ter resultado em nenhuma perda operacional para aquela Força, vir a revolucionar a futura capacidade de defesa do próprio país.

O navio há muito se mostrara inviável tanto econômica quanto operacionalmente. Servia para o treinamento, mas, apesar de ter realizado cerca de 570 lançamentos, teria hoje, dificuldade de entrar em combate contra uma força aeronaval equipada com meios no estado da arte. No entanto, já havia, há muito, cumprido a sua missão de restituir a operação de aeronaves de asas fixas à Marinha do Brasil.

Além disto, a desativação do NAe “São Paulo” não significa que o país deixará de ter um navio-aeródromo. Pode voltar a possuí-lo em qualquer momento do futuro, se este for o desejo da Marinha.

Engana-se também, quem pensa que a ausência do porta-aviões brasileiro significa a perda da capacidade do país de projetar força. A inteligente aquisição do Navio Doca Multipropósito (NDM) “Bahia”, capaz de realizar complexas operações de desembarque, juntamente com os NDCC “Almirante Sabóia” e “Garcia D’Ávila”, ambos equipados com flexíveis conveses de voo, só fez aumentar esta capacidade da Marinha no seu teatro de operações potencial.

É importante que se diga que a atual frota de aeronaves de combate da Marinha, composta de caça-bombardeiros McDonnell Douglas A-4 Skyhawk, uma aeronave que entrou em operação em 1956, hoje voados somente no Brasil e na Argentina, pouco poderia fazer contra uma força agressora de primeiro mundo. Na falta de um porta-aviões para acomodá-los, até que se decida pela obtenção de um novo navio, estes aviões melhor serviriam à ordem de batalha da Marinha se fossem especializados em missões de ataque antinavio operando de terra. Uma tarefa hoje realizada pelos helicópteros da aviação naval embarcados em múltiplas plataformas em alto-mar. No entanto, o A-4 não é a aeronave ideal para esta missão. E mergulhar num projeto que requer a escolha de uma aeronave de combate nova, quando para a Força Aérea bastaria a adequação à uma nova missão e a um míssil antinavio a aeronaves já existentes ou encomendadas seria por demais custoso. Principalmente existindo no horizonte uma opção muito mais interessante e que permite que as aeronaves de asas fixas da Marinha continuem voando.Se, neste momento, e sem o porta-aviões os A-4 não possuem a mesma capacidade de prover uma real capacidade de dissuasão e defesa, o mesmo não pode ser dito da aviação de patrulha, vetor apropriado para garantir à Marinha importante consciência situacional sobre o seu mar jurisdicional.

E se a missão dos aviões de caça pode ser melhor realizada pelas aeronaves, tradições e doutrina da Força Aérea, para a Marinha, ao contrário do que acontece na FAB, onde apesar das tradições nunca deixará de ser “corpo estranho”, a aviação de patrulha “cabe como uma luva”.

Além de garantir a cobertura de inteligência, vigilância e reconhecimento, e da busca e do ataque antissubmarino, os vetores de patrulha podem ainda prover o esclarecimento para disparos de mísseis superfície-superfície além do horizonte e ataques antisuperfície aerolançados. Ou seja, toda a gama de missões navais que ajudam a potencializar a capacidade agressiva da frota.

Se isto não aconteceu até agora, talvez seja pela relutância da Marinha – por razões puramente econômico-financeiras – em ter que operar as aeronaves P-3BR hoje em uso pela FAB que as utiliza com grande dificuldade devido a seu alto custo operacional e de manutenção.

Custo este que enfrenta o gigantesco dilema de ser multiplicado uma vez que as aeronaves do tipo em uso ao redor do mundo estão sendo obrigadas a efetuar a troca de suas asas, uma operação multimilionária que tocou ao país no pior momento econômico possível. Não é à toa que ninguém deseja enfrentar este porvir e ver seus já minguados e alocados recursos irem ralo abaixo. A FAB para investir numa aviação puramente de apoio à outra força. E a Marinha num momento de absoluta reestruturação econômico-financeira.

Talvez fosse hora de olhar para o que fizeram, há poucos anos, os sempre pragmáticos britânicos que após 14 anos e 3,4 bilhões de libras esterlinas gastas, finalmente cancelaram o programa Nimrod 2000 que visava dar ao país a sua versão MRA4, uma variante modernizada do vetusto avião de patrulha Nimrod, desenvolvido a partir do DeHavilland Comet, um dos primeiros jatos de passageiros dos anos 1950. O cancelamento do MRA4 foi um choque para muitos especialistas de defesa do Reino Unido que achavam que sem ele perderiam a competência de realizar a sua específica missão. Mas a opção para um programa no qual já se havia enterrado bilhões sem atingir seu resultado seria somente o dispêndio de outros bilhões jogados ao vento. Em julho de 2016, o MD britânico anunciou a compra de nove aeronaves Boeing P-8A Poseidon, garantindo assim uma capacidade inigualável de patrulha marítima sem a invenção de programas complexos e custos astronômicos sem resultados palpáveis. O Nimrod se perdera definitivamente nas brumas dos tempos tão comuns naquelas ilhas. E ninguém se lembrava mais dele.

O Brasil quer ver suas águas protegidas. Quer ter o conhecimento do que ocorre na sua Amazônia Azul. Quer possuir uma Marinha capaz de prover a real dissuasão em sua principal zona de interesse. Talvez fosse a hora de o Ministério da Defesa preparar esse futuro sem maiores dispêndios imediatos, além de uma simples assinatura de um decreto, e um movimentar de suas peças...

 


Índice

De Casa Nova!        
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O 3o /8o GAV. Esquadrão Puma na Base Aérea de Santa Cruz
Por: Luciano R Melo Ribeiro

Em um curto espaço de tempo o 3o Esquadrão do 8o Grupo de Aviação (3o /8o GAV) passou por duas mudanças importantes. Em setembro de 2015 a unidade deu sequência à sua tradição de operador de helicópteros da família Puma/Super Puma ao trocar os H-34 Super Puma pelos H-36 Caracal. Um ano depois, em dezembro de 2016, trocou de sede, saindo do lendário Campo dos Afonsos, onde esteve desde sua criação em 1981, rumo à Base Aérea de Santa Cruz. Foi um retorno às origens, pois a extinta BASC abrigou nos anos 70 o 3o EMRA, unidade que serviu de base para a criação do Esquadrão em 1981. Na sede da agora ALA 12, o Esquadrão Puma passou a estar mais próximo da aviação de caça, do litoral e de áreas importantes e estratégicas como Angra do Reis e Bacia de Campos, além de ter novas facilidades, como o estande de tiro da Marambaia e de uma área de treinamento litorânea, que permitirão ao 3o /8o GAV explorar ao máximo as características do H-36 Caracal.   Pág. 38

KC-390 Milestone        
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O Status do Programa do Avião Cargueiro da Embraer
Por: Luiz Alberto Madureira

Dois anos depois de deixar o solo pela primeira vez, o KC-390 aproxima-se da metade da fase de voos de ensaio, visando sua homologação. A previsão é que até o final de 2018 a maior aeronave já construída no Brasil entre em serviço com o 1o Grupo de Transporte da Força Aérea Brasileira, sediado na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro (RJ).   Pág. 28

Perspectivas – 2017        
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Para a Defesa Nacional
Por: Anastacio Katsanos

Em poucos anos ocorreu no Brasil uma enorme transformação da euforia alimentada por um ambiente econômico favorável e uma visão geopolítica ambiciosa (governo Lula) para uma crise profunda vivenciada neste momento. Esta situação deixou as Forças Armadas (FFAA) com vários programas em andamento, muitos dos quais sem condições financeiras de realização ou conclusão. Por outro lado, a crise trouxe à tona a capacidade de adaptação e planejamento das FFAA brasileiras visando a um crescimento mais coerente, faseado e de acordo com a realidade orçamentária. Começam a surgir iniciativas inovadoras e corajosas que podem levar a uma ampla transformação de modo a permitir que o país tenha uma capacidade de defesa compatível com a postura geopolítica do país e de modo a fazer frente às atuais e futuras ameaças e dificuldades.   Pág. 48

O Conceito FUA        
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Uso Flexível do Espaço Aéreo
Por: 1o Ten Esp CTA Ricardo David Benedictis, 1o Ten Esp CTA Joaquim Tavares Lôbo Júnior

Aplicado com sucesso nos congestionados céus dos Estados Unidos e da Europa, o conceito FUA (Flexible Use of Airspace) está em processo de implementação no Sistema ATM (Air Traffic Management) do Brasil. Vamos conhecer, então, o que é o conceito FUA, quais modificações ocorrerão no gerenciamento da operação do espaço aéreo brasileiro e quais os benefícios que Estados Unidos e Europa puderam perceber com o gerenciamento flexível dos seus respectivos espaços aéreos.   Pág. 62

Peça de Sustentação        
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O Airbus C-105 Amazonas na Atual Conjuntura de Transporte da FAB
Por: Leandro Casella

Dez anos depois de entrar em serviço na Força Aérea Brasileira, a Revista Força Aérea faz uma análise da operação do C-105 Amazonas, que no atual estágio tornou-se um dos principais pilares da Aviação de Transporte do país. Como foram estes primeiros dez anos de operação, qual o estágio atual da frota e quais são as perspectivas futuras desta aeronave é o que veremos a seguir.   Pág. 68

                                                                                                                                                                                                               

 
 

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