
Por alguma razão os resultados daquele ataque à planta de enriquecimento de urânio em Fordow no Irã não foram fáceis de engolir. Em meio à euforia mundial pelo sucesso da Operação Midnight Hammer na qual sete bombardeiros B-2 Spirit voaram uma missão de 18 horas desde a Base Aérea de Whiteman, em Montana até o alvo, sobre o qual despejaram 14 gigantescas bombas GBU-57A/B capazes de penetrar em bunkers subterrâneos, sempre sobrava a imagem do comboio iraniano supostamente deixando a planta um pouco antes com o que disseram ser urânio enriquecido.
Seja como for, aquele ataque, na noite de 22 de junho do ano passado acabou desembocando em outro, que começou agora, no último dia do mês passado.
Um dos objetivos listados pelos norte-americanos é justamente o de “…acabar com a capacidade nuclear do Irã.”
E é o que os. americanos e israelenses estão tentando fazer.
Mas essa guerra não é de Israel, por mais que eles estejam aproveitando a deixa para se livrar, ao menos por um tempo, das ameaças existenciais de seu arqui-inimigo na região.
Não. Essa guerra é americana, e ela não começou ali, no Golfo Pérsico. Ela começou no ano de 1971 quando o Tesouro Americano abandonou o Padrão-Ouro, ou o Nixon Shock como aquele ato unilateral também foi chamado. De lá para cá, pouco mudou. O Mundo continuou mantendo o dólar como sua moeda universal de troca mesmo sem o respaldo das barras douradas de Fort Knox. Mas a dívida americana se tornou impagável. O mundo se assustou. E o País começou a usar o seu domínio sobre o comércio internacional como arma política, como por exemplo nas sanções à Rússia a partir de 2012 quando saiu a Magnitsky.
Em 2013 dois países dos BRICS, o Brasil e a China assinaram um acordo para lastrear seu comércio bilateral em Reais e Yuans. De repente, a supremacia econômica americana através da moeda se viu ameaçada.
Ao mesmo tempo, o crescimento meteórico da China e sua transformação num gigante tecnológico tornaram aquele país de 1.4.bilhões de pessoas no maior rival dos Estados Unidos.
Em 2013, o líder chinês Xi Jinping anunciou sua “nova rota da seda”, um caminho rodoviário, ferroviário e marítimo cujo objetivo é o de abrir ainda mais os mercados ocidentais para a sua pujante economia.
Em 2014 a Rússia invadiu a Crimeia e oito anos depois a Ucrânia. E demonstrou para o mundo o quão obsoleta estava a sua maneira de fazer a guerra.
E, no dia três de janeiro agora, numa impecável operação militar, forças americanas atacaram a Venezuela para prender o ditador Nicolás Maduro. De quebra, recuperaram seu controle sobre as maiores reservas de petróleo do mundo.
Mas as demonstrações de força da máquina militar americana para nem chineses e nem russos botarem defeito só estava começando.
Com este ataque ao Irã, que deve desmantelar por completo a capacidade militar do país, o Presidente Trump não só passa a controlar o petróleo do maior fornecedor desse mineral para a China, mas substitui a tal nova rota da seda para lá planejada por uma outra opção, que lhe é mais palatável; o corredor Índia-Oriente Médio-Europa, Made in USA!
Se conseguir domar o Irã, assinar os Acordos de Abraão trazendo prosperidade para o Oriente Médio e controlar as principais fontes de energia, os metais raros e os gargalos geo-estratégicos, Trump terá recuperado por longo tempo o prestígio e a supremacia norte-americana no planeta.
@CL
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Editorial da edição número 158 – Fevereiro de 2025 — Revista Força Aérea (RFA). A Revista Digital de Aviação Militar Brasileira.
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