
Há poucas semanas, um caça F-39 Gripen, da Força Aérea Brasileira, lançou um míssil MBDA Meteor sobre o mar que se estende ao horizonte, a partir do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, na costa do Rio Grande do Norte.
No entanto, não foi um mero lançamento. O Meteor, um míssil de alcance além do visual, atualizado por datalink ao longo de seu percurso e com propulsão ramjet, é, atualmente, a arma ar-ar mais avançada em operação.
O binômio Meteor-Gripen, que também leva em pilones sob as suas asas mísseis WVR Diehl IRIS-T, garante ao Brasil uma enorme vantagem em relação a seus vizinhos sul-americanos.
Se olharmos a ordem de batalha dos outros países do continente, com os quais afortunadamente mantemos boas relações, notamos que suas forças aéreas possuem, em sua maioria, caças de quarta geração com armamento ar-ar correspondente. Argentinos e chilenos utilizam aeronaves F-16 com mísseis AIM-120B AMRAAM e AIM 9L/M Sidewinder, uma excelente combinação, porém mais antiga que a suíte brasileira. A Venezuela, apesar de ainda possuir jatos F-16, mais antigos e menos bem armados que os dos países do Cone Sul, optou, já há alguns anos, pela vertente russa para garantir sua defesa aérea. Seus caças Sukhoi 30MK2 são aeronaves capazes, com grande alcance e autonomia. Dotados de radares Tikhomirov N001VEP com antenas de escaneamento mecânico, conseguem detectar alvos a cerca de 150 quilômetros de distância, acompanhar 10 deles e adquirir 4 simultaneamente para seus mísseis R-77, de desempenho parecido ao do AMRAAM.
A Colômbia recentemente anunciou ter escolhido o Gripen para equipar sua unidade de primeira linha, mas a ameaça de embargos de partes norte-americanas devido a desavenças entre os governos Trump e Petro, além de rumores de irregularidades na operação de compra, vem atrapalhando o progresso da escolha. Peruanos e equatorianos ainda não escolheram seus novos caças, o que nos remete de volta ao Brasil.
No cenário sul-americano, o armamento do F-39 garante uma defesa aérea de última geração. Mas não é só isso. Os radares dos aviões argentinos, chilenos e venezuelanos possuem radares com movimentação mecânica, enquanto o F-39 utiliza radares de abertura sintética, sem partes móveis, e com um cone de cobertura bem mais amplo e bem mais moderno.
Além da superioridade de armas, radar e outros sistemas do F-39, a Força Aérea Brasileira dispõe do que talvez seja o seu mais importante vetor de defesa aérea. Trata-se da aeronave de alerta aéreo antecipado e controle R-99, da Embraer, equipada com um radar PS-890 Erieye de varredura eletrônica, capaz não somente de detectar alvos a distâncias muito superiores aos embarcados nos caças, mas de operar em um ambiente datalink, o que provê maior furtividade e agilidade operacional aos diversos vetores que controla.
Foi, em nossa opinião, o principal sistema que garantiu a superioridade aérea à Força Aérea Paquistanesa no seu recente, e breve, conflito com a Índia, em maio.
Mesmo diante da dificuldade de obter do governo o orçamento requerido para completar uma frota com o número necessário de aeronaves equipadas para garantir a efetiva defesa aérea do país, a Força Aérea já demonstrou, de forma extremamente responsável economicamente, que é capaz de cumprir sua missão como fazem as principais armas aéreas do planeta.
@CL
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Editorial da edição número 157 – Dezembro de 2025 — Revista Força Aérea (RFA). A Revista Digital de Aviação Militar Brasileira.
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