

Pilotos de F-16 ucranianos criam suas próprias táticas de combate aéreo. A experiência adquirida em combate com os caças F-16, forçou os pilotos da Força Aérea Ucraniana (UAF) a rever as táticas aprendidas em treinamentos no ocidente. O motivo é que os métodos tradicionais se mostraram inadequados para a realidade da atual guerra com a Rússia.
Em reportagem publicada pelo portal Militarnyi, um piloto de F-16 da UAF afirmou os treinamentos recebidos dos parceiros ocidentais não levavam em conta a densa defesa aérea presente no atual conflito. “Quando voltamos do treinamento, nos deparamos com a realidade: as táticas que nos ensinaram no exterior não se adequam completamente à guerra que estamos travando”, disse o piloto.

Pilotos de F-16 ucranianos — muitos deles aviadores experientes — tiveram que desenvolver na prática, novas regras de engajamento focadas na interceptação de mísseis de cruzeiro, no ataque a drones e na sobrevivência em operações de combate próximas à linha de contato com o inimigo. “Tivemos que nos reunir e pensar em como iríamos operar, como destruir mísseis de cruzeiro, drones e como deveríamos combater o inimigo perto da linha de frente”, disse ele.
A linha de combate está saturada de sistemas de mísseis terra-ar e aeronaves de combate russas, tornando as operações aéreas particularmente perigosas. Caças russos como os Su-35, Su-57 e MiG-31 são as principais ameaças aéreas encontradas pelos pilotos da UAF. “Quase todas as missões em direção à linha de contato envolvem lançamentos de mísseis inimigos contra nossas aeronaves, na maioria das vezes mísseis ar-ar”, afirmou.

Como os caças russos permanecem em Patrulha Aérea de Combate em altitudes mais elevadas aguardando os grupos de ataque, os pilotos da UAF são obrigados a voar baixo para reduzir a exposição as ameaças aéreas e terrestres. “Infelizmente, não temos a capacidade de permanecer a posição em altitude. É por isso que temos que voar mais baixo para reduzir a ameaça de sistemas de mísseis terra-ar”, explicou o piloto.
Para sobreviver nesse ambiente, os pilotos ucranianos de F-16 empregam táticas de manobras em baixas altitudes, utilizando a camuflagem de terreno para degradar o rastreamento dos radares do inimigo e o desempenho dos buscadores dos mísseis, dificultando que seus sensores mantenham os alvos travados.

O piloto ucraniano também descreveu as missões de escolta, nas quais os F-16 se expõem deliberadamente aos caças inimigos para atrair lançamentos de mísseis e esgotar a munição russa, permitindo que aeronaves de ataque carregando bombas guiadas de precisão completem suas missões. Em um dos confrontos descritos, pilotos ucranianos operando em uma formação de três aeronaves forçaram os caças russos a disparar mísseis de diferentes direções, permitindo que a aeronave de ataque atingisse seu alvo e retornasse em segurança.
Desde a entrada em operação até novembro de 2025, os caças F-16 ucranianos interceptaram mais de 1.300 mísseis e drones russos. Destruíram mais de 300 alvos terrestres, incluindo veículos militares, postos de comando, centros de controle de drones, depósitos de munição e instalações logísticas. Em um caso confirmado, um F-16 ucraniano abateu seis mísseis de cruzeiro russos em uma única missão de combate, incluindo dois destruídos com o canhão da aeronave.
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