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Desde que assumiu seu segundo mandato, o presidente americano Donald Trump tem empregado as forças armadas do país em várias frentes. Iêmen, Síria, Irã, Mar do Caribe e, por último, Venezuela, onde numa missão hollywoodiana, capturou o ditador Nicolás Maduro e sua esposa. Chamada de Operação Absolute Resolve, ela foi uma parte da Operação Southern Spear, que criou um cerco no mar do Caribe e Pacífico, sob a bandeira de coibir o narcotráfico.
Leandro Casella

Desde a assunção do Chavismo ao poder na Venezuela, o país mergulhou em uma ditatura socialista, que destruiu um dos mais ricos estados da América do Sul. Hugo Chávez assumiu a presidência da Venezuela em 2 de fevereiro de 1999, após vencer as eleições de 1998 com uma plataforma populista e antissistema. O militar, que liderou uma tentativa de golpe em 1992, governou o país até sua morte em 5 de março de 2013, implementando o “Socialismo do Século 21” ou Bolivarianismo. Ele foi sucedido por Nicolás Maduro, seu braço direito, que amplificou a crise na Venezuela, hoje considerada uma das maiores crises humanitárias do mundo, onde até 2025, mais de 8,5 milhões de pessoas já haviam deixado o país, fugindo da pobreza e da ditadura.
O ataque dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, anunciados pelo presidente americano Donald Trump, no sábado, 3 de janeiro de 2026, marca o auge da escalada nas tensões militares com a Venezuela. A chegada de Trump ao poder no começo de 2025, para seu segundo mandato, marcou o início de uma crescente nas hostilidades americanas contra Caracas, com o alvo direcionado a Maduro, em um ato nitidamente pessoal.

O primeiro ato foi em 6 de fevereiro de 2025, duas semanas depois de tomar posse na Casa Branca. O Dassault Falcon 2000EX, matrícula YV3360, foi apreendido, enquanto passava por manutenção programada em um hangar no Aeroporto de Santo Domingo, capital da República Dominicana. Ele era utilizado por Maduro e seus ministros em missões internacionais. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em visita ao país caribenho, acompanhou a operação realizada pelas autoridades americanas.
Na nota oficial, o governo venezuelano também chamou de “fantoche” e “submisso” o governo dominicano e afirmou que o presidente Maduro tomaria as “ações necessárias” para denunciar a apreensão e exigir a devolução imediata da aeronave, a segunda apreendida pelos EUA na República Dominicana em cerca de seis meses.
Em 2 de setembro do ano anterior, os EUA já haviam apreendido o primeiro jato executivo venezuelano em Santo Domingo, no mesmo local. Na ocasião, o governo dos Estados Unidos firmou que o Falcon 900EX T7-ESPRT, foi “recuperado” com base em violações de sanções impostas contra a Venezuela, controles de exportação e lavagem de dinheiro. Além disso, a aeronave teria sido comprada ilegalmente através de uma empresa de fachada.

A apreensão do segundo avião aconteceu em meio à pressão internacional, sobre a eleição presidencial venezuelana ter sido considerada fraudulenta. Maduro classificou de “roubo” a apreensão do segundo jato venezuelano pelos EUA. A Venezuela repudiou a apreensão de mais uma das suas aeronaves.
O segundo ato de Trump contra a Venezuela ocorreu em 20 de fevereiro de 2025, ao designar as organizações criminosas daquele país como grupos terroristas. Isso abriu caminho para deportações dos EUA de dezenas de venezuelanos que foram acusados pelo governo estadunidense de integrarem tais grupos. As deportações começaram em 16 de março, com mais de 200 venezuelanos sendo acusados de participar do Tren de Aragua e de outras organizações. Eles foram enviados a El Salvador cujo governo teria recebido pagamentos para mantê-los em suas prisões. No mês seguinte, a Suprema Corte dos Estados Unidos ordenou que a administração Donald Trump suspendesse a deportação de venezuelanos.
Em 18 de julho, após conversas pelos canais diplomáticos, os governos dos EUA e da Venezuela realizaram uma troca de prisioneiros com a mediação do presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Um total de 252 venezuelanos, que haviam sido deportados dos Estados Unidos em março e estavam no Centro de Confinamento de Terroristas (CECOT), uma prisão de segurança máxima em El Salvador, foram enviados à Venezuela. Em troca, o governo de Nicolás Maduro libertou dez cidadãos americanos detidos na Venezuela e um número não especificado de venezuelanos, que Washington considerava presos políticos.

Em 8 de agosto, os EUA dobraram uma recompensa em dinheiro por informações que levassem à prisão de Maduro, de 25 para 50 milhões de dólares. A acusação: ser “um dos maiores narcotraficantes do mundo”. A recompensa, fixada em US$ 15 milhões em 2020, foi posteriormente aumentada pela administração Joe Biden para US$ 25 milhões. No mesmo mês de agosto de 2025, a tensão se elevou ainda mais no Caribe, com os EUA iniciando uma pressão militar nunca vista antes na região.
Em meados de agosto de 2025, os EUA começaram a enviar forças militares para o Mar do Caribe, em meio ao aumento das tensões entre os EUA e a Venezuela. O discurso era de que os EUA buscavam conter o fluxo de drogas ilícitas. Na prática, era bem mais que isso. Os EUA queriam retirar maduro do poder, ter um novo interlocutor local e voltar a dar as cartas no petróleo venezuelano, o que que significava voltar a investir no país, evitando que ele continuasse na esfera de influência da China e da Rússia. Era a volta da Doutrina Monroe, criada em 1823 pelo presidente James Monroe, que estabeleceu o princípio da “América para os americanos”, declarando que o continente americano não deveria ser alvo de nova colonização ou intervenção europeia (hoje leia-se China e Rússia). Em tempo: quando o Chavismo ascendeu ao poder, ele estatizou o petróleo, retirando da Venezuela todas as empresas estrangeiras, a maioria americana, encampando benfeitorias e instalações, sem indenizar as empresas, gerando um lucro cessante de bilhões não só em petróleo, mas de diversos insumos e produtos.
A mobilização inicial incluiu sete navios, um submarino com propulsão nuclear, o USS Newport News (SSN-750), e cerca de 4.500 fuzileiros navais. A operação estava sob a rege do United States Southern Command (USSOUTHCOM), o Comando Sul das Forças Armadas dos EUA. Entre os navios da US Navy deslocados estão o USS porta-helicópteros Iwo Jima (LHD 7); os transportes anfíbios da classe Flight I San Antonio USS Fort Lauderdale (LPD-28) e USS San Antonio (LPD 17). Também estavam na área os destroieres USS Sampson (DDG-102), USS Gravely (DDG-109), USS Spruance (DDG-109), USS Jason Dunham (DDG-109) da classeArleigh Burkee o cruzador e USS Lake Erie (CG-70), além do navio de combate litorâneo da classe Freedom USS Minneapolis-Saint Paul (LCS-21).
Além disso, várias aeronaves foram enviadas a Porto Rico, sendo espalhadas por três aeródromos. A principal base de operações foi o aeroporto José Aponte de la Torre (RVR/TJRV), em Ceiba, onde fica a Naval Air Station (NAS) Roosevelt Roads. Mas também foram colocadas aeronaves no Rafael Hernández International Airport (BQN/TJBQ) em Aguadilla e no Aeroporto Internacional Luis Muñoz Marin (SJU/TJSJ).
Em BQN ficaram os UAS GA-ASI MQ-9A, Tiltrotor CV-22B/MV-22B, HC-130J e MC-130J; em SJU os P-8A, E-11A e EC-130J, e em RVR, o maior efetivo com os F-35A/B, F-22A, AV-8B, EA-18G, KC-130J, MV-22B, CH-53E, AH-1Z e UH-1Y.

Já o Grupo de Batalha do LHD 7 possuía a bordo aeronaves AV-8B, UH-1Y, AH-1Z, CH-53E e MV-22B. O efetivo ia aumentar em novembro com mais aeronaves chegando a Porto Rico e, claro, a vinda do porta-aviões USS Gerald R. Ford (CVN-78) com 75 aeronaves do tipo F/A-18E/F, EA-18G, E-2D, MH-60S/R e C-2A, todos da Carrier Air Wing Eight (CVW-8).
A partir de setembro, as ações navais e aéreas entraram em um novo capítulo na região. Na quarta-feira (3/9), Trump anunciou que as forças estadunidenses atacaram um barco que vinha da Venezuela, carregado de drogas. Segundo o presidente dos Estados Unidos, tratou-se de uma ação direcionada “contra os narcoterroristas do Tren de Aragua”, que transportavam drogas em águas internacionais em direção ao EUA. Durante a ação morreram 11 suspeitos. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que o ataque ocorreu no sul do Caribe, e o barco-alvo havia partido da Venezuela.
Maduro imediatamente passou a mobilizar patrulhas costeiras e denunciar a presença naval americana como uma“ameaça criminosa e sangrenta”. Logo abriu-se discussões sobre a legitimidade ou não da presença dos EUA cercando a Venezuela, discussões que renderam protestos formais de China e Rússia, e até mesmo dentro dos EUA. O especialista em direito constitucional Bruce Fein disse à Al Jazeera que se os EUA estão enviando seus navios para águas venezuelanas, isso é “uma violação da Resolução de Poderes de Guerra de 1973, ao provocar a Venezuela a atacar a Marinha dos EUA, um ato de beligerância que somente o Congresso pode autorizar constitucionalmente”. A Venezuela foi ao Conselho de Segurança das Nações Unidas reclamar. Porém, nada foi feito. Vários países referendaram “não ser correta a ação dos EUA, mas que a Venezuela vive uma ditadura, com eleições não legitimadas”. Dicotomia diplomática.
O ataque do dia 3 de setembro seria o primeiro de uma série, feitos pela US Navy e pela USAF contra barcos na Região do Caribe e do Pacífico. Em dezembro, outro cartel, o dos “Sois” também entrou na lista de narcoterroristas. Até 26 de janeiro de 2026, 35 barcos haviam sido afundados, causando 117 mortes.

Maduro passou a mobilizar a partir de 4 de setembro patrulhas costeiras que na prática não representaram uma ameaça à Marinha Americana, dada a fragilidade e até o amadorismo das patrulhas. Além disso, num ato populista, Maduro foi à TV estatal para dizer que estava mobilizando oito milhões de milicianos e militares para evitar o que ele chamava de invasão à Venezuela. Imagens divulgadas pela TV estatal davam conta de serem na maioria camponeses armados com instrumentos de trabalho.
Em 16 de setembro foi criado um bloqueio naval americano à Venezuela, ordenado por Donald Trump. Ele foi projetado para atingir diretamente a principal fonte de renda do regime venezuelano: o petróleo. A medida representa um cerco econômico ao país que possui a maior reserva petrolífera do mundo — 304 bilhões de barris — um volume cinco vezes superior às reservas dos Estados Unidos. O Presidente Donald Trump adotou a estratégia para afetar o comércio de petróleo na região, principal fonte de renda do regime do ditador venezuelano. Três petroleiros foram abordados e detidos pelos EUA, pois constavam em uma lista de 12 embarcações sancionadas pela justiça dos EUA, consideradas parte da Dark Fleet (Frota Obscura) da Rússia, que usavam bandeiras falsas. Um deles, o Bella 1 (Bandeira da Guiana) conseguiu escapar do cerco em dezembro de 2025, foi apreendido na Europa (Mar do Norte), em 7 de janeiro de 2026 após ser rebatizado como Marinera de bandeira russa, para fugir da caçada americana.
Diversos outros navios deixaram de carregar petróleo venezuelano, sob pena de serem retidos pela US Navy e Guarda Costeira dos EUA (USGC). Novamente o bloqueio gerou polêmica sobre sua legalidade. Porém, só protestos sem ações legais, de fato, foram feitos pela ONU, o que traz um assunto há anos em voga: – qual a utilidade real da ONU?

Apesar de estar sendo posta em prática desde o início de setembro, a campanha só foi oficialmente nomeada Southern Spear (Lança do Sul) em 13 de novembro de 2025 por Pete Hegseth, secretário de defesa dos EUA. Ela surgiu como expansão de uma operação com o mesmo nome, anunciada pela US Navy em 28 de janeiro de 2025, que utiliza uma frota híbrida de embarcações e sistemas autônomos, para detectar e combater supostas redes de tráfico de drogas no Hemisfério Ocidental. Oficialmente, a Operação Southern Spear é descrita pelas forças estadunidenses como uma iniciativa para ampliar a segurança regional, incluindo o combate ao tráfico e a pressão diplomática.
Logo após o primeiro ataque a uma embarcação no caribe, houve a primeira reação militar da Venezuela. Na manhã de quinta-feira, 4 de setembro de 2025, dois caças F-16A da Força Aérea Venezuelana (FAV) sobrevoaram um destroier da US Navy em águas internacionais.
Os F-16 do Grupo Aéreo de Caza 16, decolaram da Base Aérea de El Libertador, em Palo Negro, e rumaram para o que se tornaria um dos encontros mais simbólicos da histórica disputa EUA x Venezuela ao sobrevoaram intencionalmente o USS Jason Dunham (DDG-109), um destroier da classe Arleigh Burke, avaliado em US$ 1,8 bilhão.
A escolha dos F-16 para o sobrevoo pode ter sido estratégica. Com 21 Su-30MK2V Flankers operacionais em estoque (fora de voo), a Venezuela só poderia ter usado esse vetor para à “operação presença”. O alcance, a capacidade de carga útil e os sistemas de armas integrados dos Su-30 teriam representado uma ameaça mais crível para o USS Jason Dunham. Em vez disso, os comandantes venezuelanos optaram deliberadamente por empregar suas antigas aeronaves F-16A/B Bloco 15 OCU, cientes de suas limitações técnicas, talvez para demonstrar que não era um ataque, e apenas um recado.

O Departamento de Guerra dos EUA confirmou o incidente, e caracterizou a ação venezuelana como uma “demonstração de força”deliberada em meio à escalada de tensões após a decisão de Trump de dobrar a recompensa pelo presidente venezuelano para US$ 50 milhões por acusações de tráfico de drogas.
“Hoje, duas aeronaves militares do regime de Maduro sobrevoaram um navio da Marinha dos EUA em águas internacionais. Esse movimento altamente provocativo foi planejado para interferir em nossas operações antidrogas”, afirmou o Departamento de Defesa em um comunicado no X.
Em meio a discussões sobre a legitimidade ou não da presença dos EUA, novas aeronaves chegavam a Porto Rico para reforçar o poderio militar americano, dando sinais de que uma ação militar era questão de tempo, já que não é comum deslocar tantos ativos militares, sem a intenção de usá-los. Chegaram à região em 22 de dezembro mais dez Lockheed Martin F-35A Lightning II do 34th Fighter Squadron (134th FS) da Guarda Aérea Nacional de Vermont a NAS Roosevelt Roads, para reforçar os outros dez F-35B do Marine Fighter Attack Squadron 225 (VMFA-225) dos USMC que haviam chegado em 13 de setembro.
Paralelamente, em 19/12, seis aeronaves Boieng EA-18G Growler da US Navy, dedicados a missões de EW e SEAD foram desdobrados para Porto Rico. Estes Growlers pertencem ao Electromagnetic Attack Squadron 132 (VAQ-132) da Naval Air Station Whidbey Island em Washington. Essas aeronaves conseguem interferir em sistemas de radar e de comunicação adversários, apoiando missões de penetração e de ataque profundo em cenários de alta ameaça. Aeronaves C-17 da USAF também trouxeram helicópteros HH-60W da Kadena Air Base, no Japão para Porto Rico, para missões de Combat-SAR.
A presença dos Lightning II e Growler em Roosevelt Roads, além de aumentar a capacidade dos EUA no Caribe, criava um ar de expectativa, que a cada dia que passava uma ação contra a Venezuela em seu território estava mais próxima. A pergunta era: quando?
A pressão sobre as Forças Armadas da Venezuela foi constante, inclusive com o envio por parte da USAF de bombardeiros B-52H Stratofortress para a costa da Venezuela em duas oportunidades, em uma nítida operação de demonstração de força contra o regime do ditador Nicolás Maduro.
O primeiro voo foi no dia 15 de outubro. Utilizando o indicativo de chamada “BUNNY 01” e “BUNNY 02” (COELHO 1 e COELHO 2), os bombardeiros, matrículas AF 60-0051 (#01) e AF 60-0010 (#02), partiram da Barksdale AFB, na Louisiana, em direção à costa venezuelana, onde permaneceram voando em círculos por mais de duas horas antes de retornar aos EUA.

As órbitas foram realizadas em frente à costa da capital Caracas, dentro da Região de Informação de Voo de Maiquetía (FIR Maiquetía), o espaço aéreo cuja responsabilidade de gerenciamento do tráfego é da Venezuela. Importante observar que os B-52H ficaram no setor internacional da FIR Maiquetía, e, portanto, sem invadir a área de soberania do país na qual poderiam ser interpelados por caças da defesa aérea venezuelana. No ponto mais próximo, os bombardeiros alcançaram 77 quilômetros de Los Roques, um pequeno arquipélago venezuelano com alguns milhares de habitantes.
Um segundo voo de B-52H da USAF ocorreu em 24 de novembro. Utilizando o indicativo “PAPPY11”, o B-52H, matrícula USAF 60-0007, sediado na Base Aérea de Minot AFB, na Dakota do Norte, voou na costa venezuelana, passando próximo à capital Caracas, e escoltado por caças F/A-18E da US Navy do Grupo Aéreo Embarcado do CVN 78, com seus transpônderes ligados.
No dia 20 de novembro, outro B-52 fez o mesmo circuito. Vale ressaltar que todas as aeronaves, incluindo os caças, ligaram seus transpônderes durante partes da missão, tornando-as visíveis aos sistemas de rastreamento de voo. Isso demonstrava que os EUA não estavam tentando ocultar a missão e, sim, estressar os militares venezuelanos, dizendo “estamos aqui”. Um exemplo foi o dos inúmeros voos de RC-135V/W Rivet Joint, que quase que diariamente coletavam dados sobre alvos terrestres, como radares inimigos, comunicações e sistemas eletrônicos da Venezuela. Vale lembrar que salvo o voo com os F-16, não há registro de nenhuma atividade da aviação de caça da FAV, para coibir as ações americanas.
Talvez o maior impacto da pressão dos EUA tenha sido o envio do porta-aviões USS Gerald R. Ford (CVN-78) para a área. Sabe-se que os EUA não costumam fazer ações além-mar, sem o apoio direto de um porta-aviões nuclear. O CVN 78 dá nome à atual classe de porta-aviões nuclear, sendo ele o mais moderno e novo “Carrier” da US Navy. Ele entrou no Mar do Caribe no dia 12 de novembro, e coincidiu com a oficialização do nome da operação feita em 13 de novembro, a Lança do Sul (Southern Spear). Foi como se “agora que o CVN 78 chegou, damos o start ao jogo”.
E funcionou. Porque o CVN 78 foi manchete no mundo todo e criou mais pressão e, para muitos, a certeza de que algo seria feito. Desde o dia 14/11, o “Ford” começou a realizar inúmeras atividades aéreas, diurnas e noturnas, mantendo um alto grau de prontidão. Além disso, imagens divulgadas pelo USSOUTHCOM mostravam os F/A-18E/F e EA-18G operando armados, como que esperando uma reação da FAV ou prontos para o ataque.

O porta-aviões USS Gerald R. Ford quatro Esquadrões de Caças (F/A-18E/F), além de uma unidade de ataque eletrônico (EA-18G), uma unidade de Alerta Aéreo Antecipado (E-2D), uma unidade logística (C-2D) e duas de helicópteros de ataque e multifuncionais (SH-60). São elas:
VFA-15 “Valions” (F/A-18E)
VFA-31 “Tomcatters” (F/A-18E)
VFA-87 “Golden Warriors” (F/A-18E)
VFA-213 “Black Lions” (F/A-18F)
VAW-124 “Bear Aces” (E-2D)
VAQ-141 “Shadowhawks” (EA-18G)
VRC-40 “Rawhides” (C-2D)
HSC-9“Tridents” (MH-60S)
HSM-70 “Spartans” (MH-60R)
A Ala Aérea Embarcada do CVN 78, é parte do USS Gerald R. Ford Carrier Strike Group (GRFCSG), que é composta também pelos destroieres classe Arleigh Burke USS Mahan (DDG 72), USS Bainbridge (DDG 96) e USS Winston S. Churchill (DDG 81).
Em meio ao cerco à Venezuela, a opositora do regime chavista María Corina fugiu da Venezuela para Noruega em 9 de dezembro, enquanto caças F/A-18E da US Navy distraiam as Forças Armadas de Maduro. A vencedora do Nobel da Paz de 2025, María Corina Machado, ferrenha opositora do ditador Nicolás Maduro, teve apoio dos EUA para fugir da Venezuela e viajar até a Noruega para receber a premiação.
Uma fonte próxima à operação relatou ao Wall Street Journal que María Corina teve ajuda de duas pessoas, e levou dez horas para conseguir deixar o subúrbio de Caracas, onde estava escondida há quase um ano. Usando uma peruca para disfarce, Corina passou por dez postos militares de controle, antes de chegar a uma vila de pescadores, no litoral.

O jornal também afirmou que ela descansou por algumas horas antes de entrar em um pequeno barco de pesca de madeira às 5h da manhã. Foi necessário enfrentar ventos fortes e mar agitado para fazer a travessia do Mar do Caribe à ilha de Curaçao.
A fuga havia sido planejada por cerca de dois meses e executada por uma rede venezuelana que já ajudou outras pessoas a fugirem do país, relatou uma fonte ao WSJ. O grupo afirma ter informado as Forças Armadas dos EUA sobre a viagem de barco, para evitar que fosse confundida com narcotraficantes e atacada pela US Navy.
Enquanto Corina estava no barco em direção a Curaçao, dois caças F/A-18E da US Navy entraram no espaço aéreo venezuelano pelo Golfo da Venezuela — voando com transponder ADS-B ativado (para serem vistos) — e chegando cerca de 150 quilômetros da costa, na incursão mais próxima desde que foi iniciada a operação militar Southern Spear no Caribe.
Não há uma confirmação oficial, mas aeronaves de EA-18G da US Navy realizaram interferência nos radares da defesa aérea venezuelana. Também suspeitam que comandos especiais dos Navy SEALs (Sea, Air, and Land) ajudaram na fuga de María Corina. Nada disso tem confirmação oficial dos EUA.
A opositora do regime de Maduro, chegou a Curaçao na terça-feira (9/12) à tarde e, segundo uma fonte, foi recebida por um agente contratado pelo governo Trump e passou a noite em um hotel. Na manhã seguinte, ela deixou Curaçao em um jato particular (Embraer Legacy 650 XA-PUF) de uma empresa mexicana, enviado de Miami, que a levou para a Noruega.
Antes de embarcar, ela gravou um áudio, divulgado pelo Comitê Norueguês do Nobel da Paz, dizendo estar a caminho de Oslo, apesar de não chegar a tempo para a cerimônia de entrega do prêmio. Na noite de quarta-feira, ela desembarcou na capital norueguesa e fez a primeira aparição pública em meses, na varanda do Grand Hotel.
O primeiro ataque a solo venezuelano foi realizado às vésperas do Natal, mas só foi confirmado no dia 26 de dezembro. Quem confirmou foi o próprio presidente dos EUA, Donald Trump, como de costume, usando as redes sociais. Ele comunicou que foi realizado um ataque a um cais portuário na Venezuela, que estaria sendo usado pelo narcotráfico. A informação dada é de que uma operação terrestre de precisão, dos EUA, teria atingido instalações utilizadas para o tráfico internacional de drogas.

Na ação, os Estados Unidos atingiram e destruíram uma área de atracação de supostos barcos de narcotraficantes venezuelanos. Donald Trump ofereceu poucos detalhes sobre a operação que, segundo ele, “destruiu uma ‘grande instalação’ na Venezuela na semana passada, em que uma explosão na área do cais onde os barcos são carregados, destruiu mais de 30 embarcações que iam distribuir drogas”.
Questionado sobre se os militares dos EUA estavam por trás da operação, Trump se recusou a dizer se ela foi executada pelos militares ou por outra entidade americana, como a CIA.
Dias mais tarde, a imprensa dos EUA creditou a ação à Agência Central de Inteligência (CIA – Central Intelligence Agency). A informação é de que uma operação com drones teria atingido instalações utilizadas para o tráfico internacional de drogas.
No dia 24 de dezembro, a CIA, com o apoio das Forças de Operações Especiais dos EUA, realizou um ataque com UAS MQ-9A Reaper estacionados em Porto Rico contra um porto remoto na costa da Venezuela. Segundo informações de inteligência, a instalação era utilizada pela organização criminosa internacional venezuelana Tren de Aragua para armazenar drogas e transferi-las a embarcações para posterior envio.
Para manter a segurança ao tráfego aéreo civil internacional que cruza a região, a Federal Aviation Administration (FAA) emitiu em 21 de novembro um aviso aos pilotos (NOTAM) relatando riscos potencialmente elevados ao voar sobre a Região de Informação de Voo (FIR) Maiquetia (SVZM), que cobre todo o espaço aéreo da Venezuela. Válido inicialmente até 19 de fevereiro de 2026, o NOTAM afirmava que a piora na segurança e a intensificação da atividade militar na região poderiam representar risco à aviação civil.
Na sequência, em 29 de dezembro, os EUA enfatizaram a recomendação para companhias aéreas — que já evitavam o espaço aéreo venezuelano desde 21 de novembro — de que a partir de então, o espaço aéreo da Venezuela estaria totalmente fechado. A recomendação foi novamente ratificada pela FAA em NOTAM.

Para os analistas, isso demonstrava que a promessa de Trump de combater traficantes em solo venezuelano podia estar prestes a acontecer. Na realidade, era um alvo mais objetivo, que atenderia pelo nome de Operação Resolução Absoluta.
Imagens de sites de monitoramento de voos das 16h50 UTC de 29 de dezembro de 2025 do espaço aéreo da Venezuela mostrava pouco tráfego sobre o país. Em uma nítida prova de que o aviso dos EUA estava surtindo efeito. Cerca de 95% das poucas aeronaves em voo tinham matrículas venezuelanas.
Depois de muitos preparativos logísticos e ações preventivas, como a retirada de María Corina em 9 de dezembro e ataque ao porto venezuelano em 24 de dezembro, o planejamento dava como próximo passo invadir a Venezuela e prender Nicolás Maduro.
Os detalhes do planejamento operacional foram colocados em memorando do Departamento de Justiça dos EUA, de 22 de dezembro, assinado por T. Elliot Gaiser, subprocurador-geral do Gabinete de Assessoria Jurídica do Departamento de Justiça. Nele, originalmente o planejamento era lançar a operação Absolute Resolve no dia do Natal de 2025. Ela seria precedida por um ataque a um porto venezuelano, em 24 de dezembro, e ao fechamento do espaço aéreo no mesmo dia.
A operação foi adiada em deferência a ataques americanos não relacionados contra terroristas do Estado Islâmico na Nigéria, feitos no mesmo dia 25, numa ação que a administração Trump colocou como essencial. No memorando de planejamento é mencionado que Maduro era considerado o único alvo da operação. As partes não censuradas indicam que a esposa dele, descrita em uma nota de rodapé como sendo “conhecida por ser mais agressiva e combativa do que o marido”, deveria estar com ele, mas não ser capturada. Não se sabe o que mais pode ter mudado no plano entre 22 de dezembro e 3 de janeiro, além da mudança mais visível — a esposa de Nicolás Maduro. Cília Adela Gavidia Flores, deveria ser capturada com ele.

O memorando do Departamento de Justiça também afirma que até 75 instalações de defesa aérea estavam mapeadas como alvos, três bases aéreas, além do esconderijo de Maduro. O documento tem como principal objetivo abordar questões sobre a legalidade da missão. No memorando, a administração Donald Trump argumentou que a captura de Maduro e sua esposa foi uma ação policial com apoio militar, e que por extensão, não estava sujeita às diversas leis estadunidenses e internacionais, que regem o emprego de forças dos EUA e conflitos armados em geral. As justificativas legais permanecem sendo um tema controverso e sujeito a muito debate até hoje.
Boa parte do memorando tinha compilações do Departamento de Guerra, com inumações de inteligência. Entre elas, que Maduro passava um tempo considerável no Forte Tiuna. “Fuerte Tiuna, uma localização fortificada na extremidade sul de Caracas, [informação omitida]”, explica o memorando. “Espera-se que as forças americanas enfrentem forte resistência na aproximação”.
No memorando, Gaiser afirma que “a comunidade de inteligência sugeriu que – apesar de sua postura pública, Maduro pode não ter atualmente a capacidade de se engajar no tipo de ‘resistência armada significativa’,” e que existem “dúvidas sobre se o exército venezuelano também não é totalmente leal”.
No entanto, “ao longo de nossas discussões, nunca houve qualquer sugestão de que as forças dentro de Fort Tiuna fariam algo além de lutar até o fim” e “é indiscutível que, se o Fort Tiuna estivesse nos Estados Unidos em vez de na Venezuela haveria uma ameaça suficiente de resistência armada”, acrescentou. Há informações dando conta de que a segurança pessoal de Maduro não seja nativa, e sim, estrangeira.
Além disso, “pode haver até 75 posições de baterias antiaéreas ao longo da rota de acesso a Fort Tiuna”, escreveu o procurador-geral adjunto.
“Além disso, fomos informados verbalmente de que há uma estimativa de [informação omitida]”, continua o memorando. “Essas armas, [informação omitida], são capazes de abater os helicópteros que transportam a força de assalto e resgate.”

A parte omitida, deve ser referência a que antes da missão as forças venezuelanas alegavam ter acesso a cerca de 5.000 mísseis terra-ar portáteis Igla-S (SA-24 Grinch), de fabricação russa, também conhecidos como sistemas de defesa aérea portáteis (MANPADS). Os MANPADS, em geral, representam um perigo significativo para helicópteros voando baixo e devagar, agravado por sua capacidade de surgir com pouco ou nenhum aviso prévio. A localização dos MANPADS também pode ser muito difícil de determinar e, consequentemente, de planejar uma operação em torno dela. Já destacamos anteriormente como os sistemas de mísseis terra-ar móveis terrestres de maior porte presentes no arsenal da Venezuela também poderiam apresentar complicações semelhantes.
O relatório, que na prática é um breafing do Departamento de Justiça, com amplo apoio da CIA e do Departamento de Guerra continua:
“A partir de 22 de dezembro de 2025, a força de assalto proposta incluirá aproximadamente [número omitido] em território venezuelano; [e] uma força de assalto [número omitido] transportada por helicópteros [número omitido]”, de acordo com o memorando. “Antes da chegada da força de assalto ao Forte Tiuna, aproximadamente [número omitido] aeronaves, compostas por [número omitido], servirão como escolta e eliminarão as baterias antiaéreas instaladas, conforme necessário.”
O documento faz aparentemente referência a uma força clandestina infiltrada e posicionada com antecedência em solo venezuelano. Já foi amplamente divulgado que a Agência Central de Inteligência (CIA) infiltrou agentes semanas antes da missão, mas seu papel foi em grande parte descrito como o de monitorar os movimentos de Maduro e estabelecer seu suposto “padrão de vida”, bem como coletar outras informações. Elementos do Departamento de Justiça, incluindo agentes do FBI, também participaram da operação, mas não se sabe se estavam presentes no país previamente.
A data sugeria seria na virada de 24 para 25/12, mas como dissemos antes, foi adiada, tomando forma de fato de 2 para 3 de janeiro de 2026. A data foi escolhida em função das melhores condições meteorológicas da janela. A administração Trump autorizou a operação no dia 2 de janeiro de 2026, às 22h46, horário do leste dos EUA.
Outros detalhes do documento dão conta de que a força principal da Operação Absolute Resolve, seria de cerca 200 homens de operações especiais, liderada por elementos da Força Delta do US Army. Helicópteros MH-60M Pave Hawk e MH-47G Chinook do 160th Special Operations Aviation Regiment (Airborne) — 160th SOAR(A) — Night Stalkers, transportaram a DELTA para e de Fuerte Tiuna. Alguns dos MH-60 foram configurados como aeronaves de ataque, também conhecidas como Penetradores de Ação Direta (DAP – Direct Action Penetrator), e forneceram apoio aéreo aproximado à força principal.

O documento afirma que aproximadamente 150 aeronaves, entre as de asa fixa e rotativa, tripuladas e não tripuladas, participariam da operação. Além dos helicópteros do 160th SOAR, caças F-22A, F-35A/B e F/A-18E/F, bombardeiros B-1, Aeronaves de EW EA-18G, E-11A e EC-130H, aviões de alerta aéreo antecipado e controle E-2D e drones furtivos RQ-170 Sentinel estariam no ar. Navios de guerra da Marinha, incluindo o navio de assalto anfíbio da classe Wasp, USS Iwo Jima, e o superporta-aviões USS Gerald R. Ford, também desempenharam papéis fundamentais.
As distâncias envolvidas e a proximidade das bases americanas e dos principais navios de guerra capazes de dar suporte aos helicópteros do 160th SOAR, incluindo o porta-aviões USS Gerald R. Ford, significavam que não havia necessidade de um plano complexo de duas noites. Um único Período de Escuridão (PoD) seria suficiente para executar a missão, especialmente considerando o longo alcance e a autonomia dos helicópteros do 160th SOAR, em especial dos MH-47G com tanques de combustível extra. Foram empregados ao menos oito helicópteros, sendo seis MH-60M Pave Hawk (quatro em configuração DAP) e dois MH-67G Chinook, que decolaram do aeroporto Rafael Hernández International Airport (BQN/TJBQ) em Aguadilla.
Os MH-47G eram os responsáveis pela navegação, pois possuem uma combinação do radar APQ-187 ‘Silent Knight’ de baixa probabilidade de detecção (LPD), capaz de fornecer orientação de seguimento de terreno (TF), bem como outros modos (evitar obstáculos e colisões com cabos, busca marítima e um modo ar-ar para localização de reabastecedores), e o Sistema de Sensores Eletro-Ópticos AN/ZSQ-2 (EOSS), composto por um conjunto de câmeras térmicas e de baixa luminosidade.
O 160th SOAR (A) foi criado há 30 anos, sendo uma unidade aerotransportada de elite, que abriga os melhores pilotos de helicóptero do Exército Americano. Conhecidos como “Night Stalkers” (Perseguidores da Noite), regimento possui quatro batalhões, dois baseados em Fort Campbell, Kentucky, um em Hunter Army Airfield, Geórgia, e um em Fort Lewis, Washington. Eles operam uma variedade de helicópteros, incluindo MH-60 Black Hawks, MH-47 Chinooks, MH-6 Little Birds e sua configuração de assalto, o AH-6. As aeronaves mais novas do SOAR incluem a versão SOF do helicóptero de transporte pesado Chinook, o MH-47G, e a versão mais recente do helicóptero utilitário Black Hawk, o MH-60M. Ambos usados hoje na Venezuela.

Afora os helicópteros focados no alvo, todas as demais aeronaves voariam para protegê-los. Utilizando técnicas de Operação Aérea Combinada (COMAO), o pacote de apoio provavelmente foi planejado em torno dos “Quatro Ts”: Task, Target, Threat, Tactics’ ou traduzindo “Tarefa, Alvo, Ameaça e Tática”. Sua tarefa seria proteger o grupo de helicópteros durante a entrada e a saída, bem como enquanto estivessem na área do alvo. Os alvos seriam principalmente nós de defesa aérea e centros de Comando e Controle (C2). Muitas nações que utilizam equipamentos de defesa aérea russos (e, em menor escala, chineses) adotaram um sistema de C2 similar, altamente centralizado e hierárquico; frequentemente, unidades no nível tático precisam solicitar permissão de sua cadeia de comando para operar sem armas. As aeronaves de apoio: EW, Logística, C-SAR, Reabastecimento em Voo, forneceriam apoio direto às aeronaves de ataque e proteção.
O Complexo Militar do Forte Tiuna, distante cerca de 12 quilômetros ao sul do Palácio Miraflores, sede do Governo Venezuelano, estava abrigando Nicolás Maduro e sua esposa, Cília Flores, na madrugada de 3 de janeiro de 2026. É uma área muito extensa, com 7.500 m2. No local, existem instituições como a sede do Ministério do Poder Popular para a Defesa, EFOFAC, Comando Geral do Exército, Campo de Tiro El Libertador, Centro de Alimentação do Exército, Círculo Militar de Caracas e a Residência La Viñeta (residência oficial do vice-presidente). O local pode abrigar até dez mil pessoas. Portanto, na prática, era uma pequena cidade.
Logo após a decolagem de BQN/TJBQ, os helicópteros do 160th SOAR entraram em modo silencia rádio e ingressaram em uma navegação a baixa altura até o alvo. Ao ingressar nas praias da Venezuela seriam ainda 160 km de navegação a no máximo 100 pés. Horas antes da decolagem dos HM-60M e MH-47G, a operação já estava no ar, com decolagens de aeronaves de ataque, contramedidas eletrônicas, EW, Reabastecimento em voo e de defesa aérea. Por isso, apesar de ter sido efetiva na madrugada de 3 de janeiro, a operação, de fato, foi disparada no final da noite de 2 de janeiro, quando as primeiras aeronaves de apoio decolaram.
Houveram decolagens dos navios CVN 78 e LHD 7 e dos aeródromos de José Aponte de la Torre Airport (RVR/TJRV), em Ceiba, onde fica a Estação Naval de Roosevelt Roads, e do aeroporto internacional de Luis Muñoz Marín em San Juan (BQN/TJBQ), e do Aeroporto Internacional Luis Muñoz Marin (SJU/TJSJ).
A estrutura do pacote incluiu aeronaves F-22 voltadas exclusivamente para interceptar aeronaves da FAV que tentassem impedir o ataque. Aeronaves EA-18G, responsáveis pelas missões de SEAD e interferência eletrônica. Além dessas, EC-11A BACEN (Battlefield Airborne Communications Node) e EC-130J realizaram comunicações e interferência de comunicações. Aeronaves F/A-18E/F junto com os F-35 neutralizaram alvos estratégicos. Dados de geolocalização aberta indicam que as forças americanas atacaram pelo menos 13 alvos em Caracas, durante a operação para capturar o líder da Venezuela. O Próprio Forte Tiuna foi atacado pelos caças visando eliminar defesas antiaéreas, estruturas importantes e alojamentos.

Afora isso, outros alvos foram anulados ao largo da região norte do país. Até mesmo aeronaves B-1B estiveram envolvidas na operação para bombardear eventualmente as bases aéreas da FAV. Vale lembrar que os Su-30Mk2 estão sediados na Base Aérea de Barcelona (SVBC) e na Base Aérea de El Sombrero (SVCZ) com dois esquadrões. Já os F-16 estão na Base Aérea de El Libertador AB, em Maracay — Palo Negro (SVBL). Outro ponto importante foram aeronaves de reabastecimento em voo KC-130 do USMC e KC-46 da USAF, que mantiveram voos de espera no Caribe e de Alerta Antecipado E-2D, e de Reconhecimento RC-135W. Além desses, caças F/A-18 e AV-8B mantiveram Patrulhas de Combate para proteger o CVN 78 e LHD 7, respectivamente. Helicópteros de C-SAR estavam a bordo dos navios, para qualquer missão de resgate. Grande parte da atividade aérea concentrou-se em fornecer fogo de cobertura e de supressão em apoio aos helicópteros que transportavam a força de assalto. Vários vídeos nas redes sociais mostram explosões, mísseis e helicópteros de combate vistos circulando na madrugada sobre Caracas e região.
A operação de captura do ditador começou exatamente às 2h01 – chegada sobre o alvo, sendo concluída às 2h28 – início do regresso. Além de invadir o local, os EUA anularam defesas e locais estratégicos do complexo, usados pelo Exército Bolivariano. Os estragos foram grandes, mas pontuais e devem anular sessões vitais de defesa antiaérea, paiol e alojamentos. Segundo informações oficiais da Venezuela, 32 soldados cubanos, que faziam a segurança do casal Maduro, morreram no ataque. Corroborando a análise do documento do Departamento de Justiça, que a segurança de Maduro era feita por estrangeiros. Essa informação se confirmou, já que, dias depois, Cuba fez uma cerimônia fúnebre em homenagem aos soldados mortos no ataque americano, quando protegiam Nicolás Maduro.
Enquanto os MH-60M (DAP) do 160th SOAR davam cobertura aérea e atuavam suprimindo a resistência cubana, os MH-47G e demais MH-60M iniciaram o assalto aéreo. Houve resistência no ingresso ao local onde estava o alvo. Na troca de tiros com a segurança bolivariana, um dos helicópteros foi atingido, continuou operando e regressou a salvo. Maduro e esposa foram abordados ainda no quarto, por tropas US Army’s 1st Special Forces Operational Detachment – Delta (1st SFOD-D). Maduro tentou fugir, se refugiando em uma sala segura, com portas de aço, que foi destruída e invadida, onde ele foi preso. O tempo de entrada, captura e saída do local foi de 47 segundos. Encapuzados e amarrados, Maduro e Cilia foram embarcados em um MH-47G.

Ainda sobre o Manto da Escuridão, os helicópteros seguiram a baixa altura para o mesmo local de entrada no litoral da Venezuela e, de lá, para o USS Iwo Jima (LHD 7). Após alguns trâmites, os dois foram levados horas depois novamente de helicóptero do LHD 7 para a Base Naval da Baía de Guantánamo, em Cuba. Nenhum soldado americano foi morto, nem nenhuma aeronave americana foi perdida.
Não há reportes de que a Fuerza Aérea Venezuelana (FAV) ou Aviação Militar Bolivariana (AMB) tenha reagido, e sequer decolado uma aeronave para se opor ao ataque. Algo similar ao que aconteceu com a Islamic Republic of Iran Air Force (IRIAF), que não reagiu aos ataques israelenses em junho de 2025, na Operação Leão Ascendente, feita pelas Israel Defense Forces (IDF).
Nem mesmo existem informações até o momento de que o sistema de defesa aérea, tão alardeado por Maduro tenha sido usado. Poucas imagens que circulam nas redes sociais, mostram que lançadores de mísseis S-300V e Buk-M2 foram destruídos. Ataques a pontos estratégicos foram feitos. Não há Informações dando conta de que aeronaves F-16A/B e Su-30MkV2 teriam sido destruídas ou danificadas em solo.
A OAR foi uma verdadeira Operação Conjunta, demonstrando que para grandes operações em escala as Special Operations Forces (SOF) ainda necessitam do apoio sincronizado, das habilidades especializadas e do poder de combate das principais forças armadas. A missão mostra que houve um comando e controle (C2) coerente, exercido pelo USSOCOM, com as forças de apoio atuando como facilitadoras no esforço conjunto, em vez de simplesmente disputarem posições para reivindicar créditos e elogios pós-missão. Embora a parte crucial da missão em si, a extração do presidente Maduro, tenha sido executada por elementos do 1º SFOD-D do US Army, transportados pelos helicópteros do 160th SOAR, isso só foi possível porque os elementos de apoio estreitamente coordenados o tornaram possível.
Ironicamente em Cuba, seu aliado de anos, só que na porção americana da ilha, Maduro e sua esposa foram embarcados no Boeing 757-223 do Department of Justice – DOJ (N874TW), que operando com o código-rádio “JENA1” decolou do Campo Leeward Point (NBW/MUGM), aeródromo militar dos EUA na Baía de Guantánamo para o Aeroporto de Stewart (KSWF) em Nova Iorque, onde pousou por volta das16h32 local.

De lá, seguiram de helicóptero para o DEA (Drug Enforcement Administration), onde ambos foram autuados. Após, novamente de helicóptero (três aeronaves), Maduro e a esposa foram enviados ao centro de detenção em Nova Iorque no fim da noite do sábado, 3 de janeiro.
“Na noite passada e início da manhã de hoje, sob minhas ordens, as Forças Armadas dos Estados Unidos conduziram uma operação militar extraordinária na capital da Venezuela. Um poderio militar americano esmagador, aéreo, terrestre e marítimo, foi empregado para lançar um ataque espetacular. E foi um ataque como não se via desde a Segunda Guerra Mundial.” — Presidente dos EUA, Donald J. Trump.
Imediatamente após a operação, Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram indiciados no Distrito Sul de Nova Iorque. Maduro, segundo a procuradora-geral Pamela Bondi, “foi acusado de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos explosivos contra os Estados Unidos”.
No dia 5 de janeiro durante audiência, Maduro e sua esposa, Cília Flores, foram apresentados a um tribunal de Nova Iorque sob acusação de narcoterrorismo, tráfico de drogas e armas e conspiração. Eles se declararam inocentes. Atualmente, Maduro e Flores aguardam nas suas celas do Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn até que chegue o dia 17 de março, data em que comparecerão novamente perante o tribunal federal para responder às acusações de narcotráfico e narcoterrorismo.
A data da operação é notável. Ela ocorreu exatamente seis anos após a morte do general iraniano Qasem Soleimani (3 de janeiro de 2020), e 36 anos após a rendição do panamenho Manuel Noriega às forças estadunidenses, em 3 de janeiro de 1990.
Logo após a ação dos Estados Unidos, as reações a favor e contra foram imediatas. Vários grupos de venezuelanos refugiados em diversos países celebraram, assim como chefes de estado de países alinhados com os EUA. Mas a ação de intervir em um outro país dividiu opiniões e opositores aos EUA, e aliados de Maduro protestaram.
A Rússia e o Irã estão entre as muitas nações que reagiram rapidamente aos ataques militares dos EUA contra a Venezuela e ao anúncio de Donald Trump sobre a captura do líder do país latino-americano, Nicolás Maduro. O Brasil também está entre as nações contrárias à ação dos EUA.

O Irã condenou o ataque, classificando-o como uma “violação flagrante da soberania nacional e da integridade territorial” da Venezuela, segundo a agência de notícias AFP. O Irã enfrenta protestos da população devido a sérios problemas econômicos e poderá ter seu regime alterado em 2026.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, descreveu a ação dos Estados Unidos como “ataque criminoso”.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia acusou os EUA de “um ato de agressão armada contra a Venezuela. Isso é profundamente preocupante e condenável”, afirmou em comunicado, segundo a agência de notícias Reuters. Logo a seguir, surgiu a informação de que Vladimir Putin ofereceu asilo a Nicolás Maduro em território russo, como fez com o ex-ditador da Síria, Bashar al-Assad, derrubado do poder em dezembro de 2024.
A China também se manifestou condenando o ataque. “A China está profundamente chocada, e condena veementemente o uso da força pelos EUA contra um país soberano e o uso da força contra o presidente de um país [Nicolás Maduro]”, diz a nota do Ministério das Relações Exteriores da China. O país da Ásia tem grande interesse na Venezuela do qual importa 45% do petróleo que consome. Os EUA, por exemplo, importam apenas 28%. Um eventual controle por empresas estadunidenses do petróleo venezuelano poderá prejudicar a China. O secretário de Estado Marco Rubio indicou que “não haveria nenhuma outra ação na Venezuela”.
Durante a operação na noite de 3 de janeiro em Caracas, a US Navy utilizou suas aeronaves de ataque eletrônico EA-18G Growler, que empregaram sistemas de interferência de alta potência para neutralizar as múltiplas camadas da rede de defesa aérea venezuelana.
A ação foi confirmada por declarações de militares venezuelanos em serviço naquela noite os quais relataram que os sistemas de radares “foram cegados ou confundidos” minutos antes das munições de precisão dos soldados dos EUA atingirem seus alvos. Segundo relatos de operadores de radar venezuelanos, o ataque se desenrolou rapidamente, com equipes de radar afirmando que, momentos antes dos impactos, “todos os monitores dos radares estavam com interferência, parecendo que alguém tinha jogado areia nas telas”. Eles disseram que os sistemas “se tornaram inúteis” assim que a operação americana começou.

Um fato curioso é que havia ao menos 18 EA-18G Growler no Caribe naquele dia. Claro que na ação da Operação “Absolute Resolve” não voaram todos, mas a quantidade de Growlers reflete a importância que foi dada às missões de EW. Seis dessas aeronaves estavam postadas na Estação Naval de Roosevelt Roads, em Ceiba – Porto Rico, e pertenciam ao VAQ-132 da NAS Whidbey Island, em Washington. Nas imagens vistas, eles estavam tanto com os tradicionais pods de EW ITT/L3Harris AN/ALQ-99 Tactical Jamming System, herdados dos Grumman EA-6B Prowler, como os novos pods Raytheon AN/ALQ-249, que entraram em serviço em janeiro de 2025 no VAQ-133. O mesmo ocorreu com os 12 EA-18G a bordo do CVN 78 pertencentes ao VAQ-142.
É provável que o VAQ-142 já tenha o novo pod, que é considerado algo muito superior ao ALQ-99. Informações dão conta de que o VAQ-142 tenha o estreado em combate na Venezuela.
Eles, (ALQ-249) aliados aos Growlers, foram concebidos para suprimir sistemas de radares da defesa aérea e de alerta antecipado, interromper redes de comunicações e fornecer apoio a aeronaves de ataque, degradando a consciência situacional do inimigo. Além disso, pode eliminar sistemas de radar e defesa antiaérea empregando mísseis antirradiação AGM-88 HARM/AARGM, cumprindo uma típica missão de SEAD (Suppression of Enemy Air Defenses) e DEAD (Destruction of Enemy Air Defenses).
As Forças Armadas Venezuelanas há muito promoviam sua rede de defesa aérea como uma das mais avançadas da América Latina. Os sistemas de mísseis russos terra-ar Buk-M2E e S-300VM e os radares chineses de longo alcance JY-27 e JYL-1, foram comercializados como capazes de detectar aeronaves furtivas como os F-35 dos Estados Unidos. Segundo relatos, no início da década de 2010, a Venezuela teria recebido entre nove e doze sistemas JY-27/JYL-1, e doze baterias Buk-M2E/S-300VM.

Imagens divulgadas após o ataque, mostraram os sistemas Buk-M2E destruídos, incluindo dois lançadores e um posto de comando. Militares venezuelanos afirmaram que o ataque foi “inesperadamente rápido”, e vários operadores de radar declararam que não conseguiram rastrear aeronaves ou armas que se aproximavam após o início da interferência.
Após a operação, o secretário de guerra dos EUA, Pete Hegseth, comentou publicamente: “Parece que as defesas aéreas russas não funcionaram muito bem, não é mesmo?”O comentário fazia referência a antigas alegações de Moscou e Caracas sobre o desempenho e a capacidade de sobrevivência de seus equipamentos de defesa aérea.
Para obter a completa superioridade aérea sobre Caracas, os EUA utilizaram diversos sistemas de guerra eletrônica provenientes de aeronaves EA-18G e E-11B. O objetivo foi garantir que os helicópteros do 160 SOAR pudessem infiltrar os membros da Força Delta nas instalações militares e capturar Nicolás Maduro.
Para neutralizar as estações de radares e sistemas de defesa aérea da capital venezuelana, os EUA empregaram, além de aeronaves, sistemas de EW, armas de precisão AGM-154 Joint Standoff Weapon (JSOW), para destruir sítios radar. A comprovação disso veio em imagens divulgadas por especialistas do Instituto Venezuelano de Pesquisa Científica (IVIC), que ao realizar trabalhos de rescaldo nas instalações atacadas, entre as quais está a sua própria sede que foi parcialmente destruída na operação, encontraram fragmentos das munições de precisão empregadas pelos EUA , incluindo de bombas AGM-154 JSOW. Técnicos do IVIC divulgaram um vídeo mostrando fragmentos da JSOW “C1”, projetada para destruir alvos terrestres altamente fortificados.
Não se pode afirmar quais aeronaves lançaram as JSOW, que poderiam ser caças F/A-18E/F Super Hornet da US Navy operando a partir do porta-aviões USS George R. Bush (CVN-78), ou os F-35A da USAF destacados em Porto Rico. Ambos os estiveram diretamente envolvidos na Operação Absolute Resolve. Dados afirmam que pelo menos seis AGM-154 teriam sido lançadas sobre a Venezuela.
Os EUA estavam preparados para destruir três aeródromos venezuelanos caso os caças F-16 e Su-30 da Aviação Militar Bolivariana (AMB) ou Força Aérea Venezuela (FAV) tentassem decolar.
Não há indícios claros de que os caças Su-30MK2V Flanker de fabricação russa ou os F-16A/B de fabricação americana tenham feito qualquer tentativa real de responder à operação dos Estados Unidos.
A Base Aérea Generalíssimo Francisco de Miranda, em Caracas, também conhecida como La Carlota, assim como o Aeroporto de Higuerote, localizado na costa leste da capital, foram alvos, provavelmente devido à presença de sistemas de defesa aérea no solo. Não se sabe se alguma dessas instalações abriga caças. Segundo os EUA, as bases que estavam na mira eram a Base Aérea Luis del Valle Garcia, em Barcelona (SVBC), lar do Grupo Aéreo de Caza Libertador 13, composto pelos Esquadrões 131, 132 e 133, equipados com os Su-30MK2V; a Base Aérea de Capitão Manuel Rios Guarico em El Sombrero (SVCZ), sede do Grupo Aéreo de Caza 11, composto pelos Esquadrões 33 e 34, também equipado com os Su-30MK2V; e a Base Aérea de Maracay, em Palo Negro (SVBL), onde está o Grupo Aéreo de Caza 16, composto pelos Esquadrões 160 e 161, equipados com os F-16A/B.

Mas por que não decolaram? Simplesmente porque a situação de disponibilidade da FAV é mínima. Dados de fontes abertas, mostram que apenas sete F-16, sendo um B e seis A estavam em condições de voo, não necessariamente em condições de combate. Do lado dos Su-30, não mais que oito aeronaves disponíveis, algo em torno de quatro por Grupo (11 e 13). Além disso, informações da inteligência dos EUA mostraram a falta de pilotos capacitados e muitos com horas mínimas no tipo para operarem. Cerca de 21 Su-30 estão fora de voo por falta de peças e recursos.
Mesmo assim, os EUA mantiveram uma postura preventiva, planejando o ataque às três bases para aniquilar a FAV, caso fosse preciso. Além disso, caso os F-16 e Su-30 decolassem, foi criada uma prontidão fornecida pelos F-22 do 1st Sq da USAF e em segundo planos F/A-18E da VFA-15 e VFA-31. Os caças estadunidenses decolaram e mantiveram Patrulhas de Combate (CAP) durante toda a operação, sem, contudo, serem acionados.
“O Departamento de Guerra identificou três aeródromos que podem ser destruídos caso haja indícios de que caças estejam sendo reunidos ali para interceptar a força de ataque”, diz o memorando. “Os aeródromos não serão atingidos em outras circunstâncias, pois têm uso duplo, militar e civil”.

Já a Base Aérea Generalíssimo Francisco de Miranda, em Caracas, também conhecida como La Carlota, assim como o Aeroporto de Higuerote, localizado na costa leste da capital, foram alvos devido à presença de sistemas de defesa aérea no solo.
O UAV furtivo altamente secreto Lockheed Martin RQ-170 Sentinel participou das ações na Venezuela. Washington não forneceu nenhuma confirmação oficial. Imagens de vídeo mostraram que o RQ-170 Sentinel esteve operando na região do Caribe, dando suporte à coleta de informações ligada à operação Southern Spear e, também, à Operação Absolute Resolve. Ele teria operado entre novembro e janeiro na área.
As imagens mostram a aeronave com o formato característico de asa voadora chegando a Porto Rico, pousando na NAS Roosevelt Road, em Ceiba. Em 3 de janeiro de 2026, ele teria sido visto voando na costa da Venezuela com o código-rádio “SHRED 71” operando a partir de Roosevelt Road.
O RQ-170 é uma plataforma tática ISR não tripulada, furtiva, de penetração, e com capacidade de operação diurna e noturna, que foi introduzido em 2007. O design de baixa observabilidade da aeronave e seu conjunto avançado de sensores a tornam ideal para monitorar alvos sensíveis e apoiar operações especiais ou ataques estratégicos. Embora o RQ-170 ainda estivesse em fase de desenvolvimento e teste, a USAF o empregou no Sudoeste Asiático durante a Operação Liberdade Duradoura.

O Sentinel, de uso “semissecreto”, ao contrário da frota de ISR (Inteligência, Vigilância e Reconhecimento) da USAF e US Army, o RQ-170 não foi projetado para ficar à distância e observar o alvo; seu propósito é penetrar o espaço aéreo inimigo, contornando suas defesas aéreas, e, então, fornecer dados de ISR de alta qualidade a partir de diversos sensores. E foi, provavelmente, o que ele fez — invadiu furtivamente o espaço aéreo da Venezuela.
A USAF reconheceu publicamente a aeronave depois que fotos de operações sobre o Afeganistão em 2009 apareceram na mídia estrangeira. O RQ-170 é operado pela 432nd Wing em Creech e pelo 30th Reconnaissance Squadron (30th RS) no Campo de Testes de Tonopah.
Não houve confirmação do Departamento de Guerra dos EUA ou de outras agências governamentais de que o RQ-170 tenha participado de operações relacionadas à Venezuela.
Porém, no mês de janeiro, o CEO da Lockheed Martin, confirmou sua presença nas ações na Venezuela. James Taiclet confirmou, durante uma teleconferência sobre resultados financeiros no dia 29 de janeiro que os drones furtivos RQ-170 Sentinel fizeram parte da missão na Venezuela em 3 de janeiro. Portanto, mais de um RQ-170 estiveram na operação.
“Os produtos da Lockheed Martin provaram mais uma vez ser essenciais para as missões mais exigentes das Forças Armadas dos EUA”, disse Taiclet. “A recente Operação Absolute Resolve incluiu caças F-35 e F-22, drones furtivos RQ-170 Sentinel e helicópteros Sikorsky Black Hawk, que ajudaram a garantir o sucesso da missão e a trazer os homens e mulheres de nossas Forças Armadas de volta para casa em segurança.”
A menção de Taiclet ao drone espião é a primeira divulgação das operações da aeronave em cerca de cinco anos. Em 2021, a 432nd Wing da Base Aérea de Creech, em Nevada, mencionou brevemente, em um comunicado à imprensa, de que a unidade havia “implantado e reimplantado com sucesso forças RQ-170 Sentinel”. Embora o uso do drone de vigilância nas operações na Venezuela não tenha surpreendido alguns analistas da Força Aérea, um especialista afirmou que a divulgação da missão pela Lockheed Martin foi atípica.

A revelação de seu uso na Venezuela também marca uma de suas missões de maior destaque desde a suposta vigilância do então líder da Al Qaeda, Osama Bin Laden, antes de sua morte em 2011. Mais tarde naquele ano, um RQ-170 foi capturado pelo Irã e, posteriormente, usado como modelo para os drones Shahed-136.
A operação Resolução Definitiva retirou Maduro do poder, mas não derrubou o regime. Aliás, há muitos indícios de que a falta de uma resistência mais contundente teria sido fruto de “acordos” costurados entre o Departamento de Estado dos EUA e autoridades da Venezuela. Teria Maduro sido “vendido” pelos seus pares? Apesar de não ser possível confirmar documentalmente, o fato de a vice-presidente ter sido empossada já é um forte indício que um acordo foi feito. Dias depois, presos políticos foram libertados, a internet foi liberada, e várias propostas de investimentos dos Estados Unidos começaram a surgir, em especial, na área petrolífera.
A Operação Lança do Sul ainda está em vigor. Apesar de já ser nítida a desmobilização militar, com a saída de boa parte do efetivo aéreo, de Porto Rico, e a retirada do LHD 7 e do CVN 78.
Dias depois de capturar Maduro, a USAF continuou a realizar voos de monitoramento eletrônico na Venezuela, empregando aeronaves de inteligência RC-135V/W Rivet Joint na região do Caribe, conforme dados abertos de rastreamento de voos on-line.
Uma das missões observadas foi realizada em 05 de janeiro pelo RC-135W matrícula 64-14848, que partiu da Base Aérea de Reserva de Homestead, na Flórida, e permaneceu perto da costa venezuelana por um bom tempo em um perfil de voo que indica atividade prolongada de vigilância eletrônica no espaço aéreo internacional sobre o Mar do Caribe.

Sites de monitoramento de voos on-line indicaram que a vigilância eletrônica no Caribe não cessou em janeiro, destacando a presença contínua de aeronaves RC-135 operando próximas ao espaço aéreo venezuelano. O RC-135V/W Rivet Joint é uma plataforma especializada de inteligência de sinais, projetada para coletar, analisar e geolocalizar emissões eletrônicas de sistemas de radar, redes de comunicação e outras fontes de sinais eletromagnéticos. Outras missões foram feitas, sem qualquer reação da FAV, nem para criar um contraponto.
Essas missões são normalmente realizadas em espaço aéreo internacional, e seus dados usados para gerar consciência situacional durante períodos de intensa atividade militar.
Além dos RC-135, drones MQ-4C Triton de vigilância e inteligência da US Navy, foram observados em 08 de janeiro e nos dias subsequentes, realizando uma missão de longa duração sobre o Mar do Caribe e a costa venezuelana. O voo de 8 de janeiro decolou da Estação Naval de Mayport, sendo realizado pelo Northrop Grumman MQ-4C (BuNo 169659) e indicativo de chamada “BLKCAT6” (Black Cat 6), realizou um voo de aproximadamente dez horas no espaço aéreo internacional caribenho, mantendo uma altitude de 47.000 pés e padrão operacional típico de missões de reconhecimento e vigilância.

A retirada do Nicolás Maduro e a posse de sua vice-Presidente Delcy Rodríguez “manteve o regime chavista sem o manter”. Confuso. Sim. A Venezuela é palco de uma experiência inédita: um país com governo próprio, nacionalista e de esquerda, clara e abertamente tutelado por outro, intervencionista e de direita, que tenta equilibrar em meio a esse contraponto ideológico.
Delcy mantém uma espécie de estabilidade tutelada, que já traz rápidas mudanças econômicas.
A Casa Branca não deixa dúvidas sobre quem está no comando. Agências estadunidenses cuidaram das tratativas para que 17,6 milhões de barris de petróleo bruto venezuelano — a commodity que sustenta o país — fossem exportados em janeiro, sendo 8,9 milhões de barris destinados aos Estados Unidos. A receita de 500 milhões de dólares resultante da transação foi depositada por Washington em um fundo para Caracas, com destinação predefinida. “Assim permitimos que a Venezuela use seu petróleo para gerar recursos que paguem professores, bombeiros e policiais, e mantenham o governo funcionando”, explicou candidamente o secretário de Estado, Marco Rubio.
Porém, se várias ações estão sendo feitas em âmbitos econômicos, as questões políticas ainda permanecem no limbo e com poucas mudanças. A líder oposicionista María Corina Machado, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, manifestou em entrevista recente a esperança de que haja eleições na Venezuela em menos de um ano, mas também em entrevista, o atual presidente do legislativo venezuelano, Jorge Rodríguez, irmão da ditadora interina Delcy Rodríguez, “descartou eleições neste período imediato”, afirmando que a prioridade é estabilizar o país, e que qualquer possibilidade de um novo pleito depende de “avançar na estabilização nacional” e de “um acordo com todos os setores da oposição”. Como se vê, muita coisa ainda não mudou, e alguns especialistas não descartam até mesmo um atrito mais severo, o que poderia gerar uma guerra civil.

Aí é que se pergunta: qual será o papel das forças armadas, lembrando que parte delas sustentava o poder de Maduro à base de cargos e regalias proporcionadas pelo governo? Hoje, é visível que as forças armadas estão sucateadas, e que com a presença dos EUA por trás, não devem receber mais suporte russo ou chinês, entrando em uma condição ainda mais precária. Qual será o seu futuro? Difícil dizer. Informações vindas da Venezuela dão conta de que para manter a estabilidade, a nova mandatária do país manteve o status dos militares da era Maduro.
O que parece ser mais provável: as forças armadas, e em especial a FAV, devem sofrer uma mudança radical nos próximos anos, provavelmente voltando a ser uma força aérea mais ocidentalizada, tornando a voar equipamentos dos Estados Unidos, e ocidentais.


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