

Erdoğan diz que F-35 para a Turquia é uma questão de segurança para a OTAN. O presidente Recep Tayyip Erdoğan mudou a retórica sobre a prolongada discussão sobre o retorno da Turquia do programa F-35. Ele deixou de apresentar a questão como uma reivindicação e tornou ela uma questão com implicações diretas para a segurança da OTAN.
Em entrevista à Bloomberg, Erdoğan afirmou que o retorno da Turquia ao programa F-35 fortaleceria tanto sua relação com os Estados Unidos quanto a posição de segurança coletiva da OTAN. Essa declaração representou uma clara ruptura com os argumentos anteriores, centrados em tratamento injusto e custos financeiros irrecuperáveis, situando, em vez disso, o poder aéreo turco na arquitetura mais ampla de dissuasão e planejamento de forças da OTAN.
A entrevista também abordou o esforço paralelo da Turquia para adquirir aeronaves F-16 Block 70 dos Estados Unidos. Erdoğan observou que as negociações de preço estavam prestes a ser resolvidas. Embora a declaração possa ser interpretada como linguagem rotineira de aquisição, o contexto mais amplo sugere uma situação mais complexa.
Em dezembro de 2024, o Ministro da Defesa turco, Yaşar Güler, disse aos parlamentares da Comissão de Planejamento e Orçamento da Grande Assembleia Nacional da Turquia que aproximadamente US$ 1,4 bilhão já haviam sido pagos para o programa de aquisição dos F-16C/D Bloco 70.
Apesar desse pagamento antecipado, nenhum preço unitário final foi acordado, nenhum cronograma de entrega foi anunciado e nenhuma confirmação pública foi feita sobre o início da produção. Mais de 18 meses depois, a falta de progresso se destaca no contexto das do programa FMS, onde os pagamentos normalmente ocorrem em paralelo com marcos contratuais e de produção claramente definidos. O impasse prolongado levanta questões sobre se o projeto F-16 está sendo mantido intencionalmente em aberto em vez de ser encaminhado para sua conclusão.
Mais reveladora foi a segunda observação de Erdoğan. Enfatizando que os acordos de defesa deveriam refletir “o espírito da aliança”, ele citou a aquisição do Eurofighter Typhoon pela Turquia como referência. A comparação não se referia a custos ou capacidades da plataforma, mas sim ao enquadramento político. Esse acordo só avançou após ter sido reformulado pelo Reino Unido como essencial para o flanco sul da OTAN, o que ajudou a diminuir a resistência na Europa ao elevar a questão de uma transação bilateral para uma exigência da aliança.
Ao invocar esse precedente, Erdoğan pareceu transmitir uma mensagem mais ampla a Washington que somente questões industriais e de alinhamento político, o qual foi o ponto de ruptura em 2019 — compra dos S-400 russos, que gerou a saída do país do programa JFS.
Vale lembrar também que a Bloomberg, citando fontes familiarizadas com o assunto, noticiou que o presidente Erdoğan levantou a possibilidade de a Rússia recomprar os sistemas durante uma reunião com o presidente russo Vladimir Putin no Cazaquistão. Foi a primeira divulgação pública de tal opção.
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