

Começam as obras na pista do aeródromo antártico chileno que permitirá pouso do KC-390 da FAB. Chegaram no mês passado na Base Antártica Chilena os equipamentos e o pessoal que realizarão as obras na pista e no pátio do Aeródromo Tenente Rodolfo Marsh. Essas melhorias permitirão que futuramente os KC-390 Millenium da Força Aérea Brasileira (FAB) finalmente pousem na Antártida.
Conforme noticiamos anteriormente, as obras no aeródromo envolvem a revitalização do pátio de manobras e da pista de pouso de 1.292 metros de comprimento e 39 metros de largura, com a remoção completa do pavimento atual e a reconstrução com uma nova camada de 70 cm de saibro. Também será realizada a modernização do sistema de iluminação e balizamento do aeroporto.
O Ministério de Obras Públicas do Chile investirá cerca de 50 bilhões de pesos chilenos (aproximadamente US$ 45 milhões) nas obras da Base Antártica, que também inclui a primeira fase da construção de um píer portuário na Baía de Fildes. Sob a responsabilidade do Consórcio Bahía Fildes SpA, cerca de 70 funcionários trabalharão nos meses de verão austral dos períodos 2025-2026 e 2026-2027.
Aeródromo Tenente Rodolfo Marsh Martin

Inaugurado em 12 de fevereiro de 1980, o Aeródromo Tenente Rodolfo Marsh Martin (código ICAO: SCRM), está localizado na Ilha Rei George, arquipélago de Shetland do Sul, sendo considerado uma das principais portas de entrada para o Continente Antártico.
Gerenciado pela Força Aérea Chilena (FACh), o aeródromo serve a Base Antártica Chilena Presidente Eduardo Frei Montalva, além de alguns países que mantém bases na região, incluindo o Brasil.
O local possui uma pista de pouso, um hangar de apoio, terminal de passageiros, Torre de Controle e uma pequena área para estacionamento de aeronaves. Em 2024 o Aeródromo Tenente Marsh registrou 798 operações e 17.597 passageiros.
Brasil na Antártida

Na década de 1980, o governo brasileiro iniciou a construção da Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) na Ilha Rey George, um projeto que seria inviável sem o apoio dos navios antárticos e helicópteros da Marinha do Brasil (MB) e dos C-130H Hércules da Força Aérea Brasileira (FAB). Como EACF não dispõem de pista de pouso, a Base Antártica do Chile serve como apoio operacional para as aeronaves brasileiras.
O primeiro pouso de um C-130H da FAB no Aeródromo Tenente Rodolfo Marsh aconteceu em 23 de fevereiro de 1983. Desde então, essas veneráveis aeronaves foram a espinha dorsal do suporte aéreo ao Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), realizando centenas de Operações Antárticas (OPERANTAR), inclusive durante os meses de inverno, com o lançamento aéreo de mantimentos sobre a EACF.

A introdução dos modernos KC-390 Millennium levou a aposentadoria dos C-130 Hércules da FAB, com a última aeronave saindo de operação em fevereiro de 2024. Com isto, o Brasil não dispõem mais de uma aeronave de transporte logístico capaz de pousar no continente antártico, porque as atuais condições da pista da Base chilena não comportam os pesados KC-390.
Como medida paliativa, a FAB chegou a testar seus C-105 Amazonas na Antártida, mas a capacidade reduzida desta aeronave limita o deslocamento de pessoas e cargas para a região.
Somente após as obras na pista do Aeródromo Tenente Rodolfo Marsh permitirão que a FAB finalmente retome a sua plena capacidade de Operações Antárticas com as aeronaves de transporte pesadas.
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