

A Rússia afirma que a Ucrânia atacou a residência de Putin. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que a Ucrânia atacou em 29/12 uma das residências do presidente Vladimir Putin e disse que Moscou retaliará e revisará sua posição nas negociações para o fim da invasão em larga escala da Ucrânia.
Em um comunicado publicado no Telegram em 29 de dezembro, Lavrov afirmou que a Ucrânia usou 91 drones no que ele chamou de “ataque terrorista”, mas que todos foram abatidos e não havia relatos de danos até o momento.
Lavrov não revelou o nome da residência, mas a localização na região de Novgorod sugere que se trata de um complexo bem protegido em Valdai, uma cidade à beira de um lago cuja localização arborizada Putin prefere a outras residências estatais desde que lançou a invasão da Ucrânia em 2022, segundo uma investigação realizada este ano pela Systema, unidade de investigação russa da RFE/RL.
Lavrov afirmou que a Rússia não deixará o ataque sem resposta e já selecionou “alvos e momento” para ataques retaliatórios.
Os moradores de Valdai, onde supostamente ocorreu um ataque à residência de Putin, não ouviram drones, explosões ou qualquer atividade das defesas aéreas. É impossível ocultar um ataque de grandes proporções em uma cidade pequena, segundo relatos da mídia russa.
Em um comunicado, Zelenskyy chamou a alegação de Lavrov de “mais uma mentira da Federação Russa”, acrescentando que “é claro que, para [a Rússia], se não houver escândalo entre nós e os Estados Unidos e, em vez disso, houver progresso, isso é um fracasso para eles. Porque eles não querem que esta guerra termine. Eles só podem ser forçados a terminá-la por meio de pressão.”
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy classificou como “mentira” a alegação de que Kiev teria atacado a residência na região de Novgorod, a noroeste de Moscou. Ele afirmou que a Rússia estava tentando minar as negociações entre os EUA e a Ucrânia sobre a guerra e “preparando o terreno para realizar ataques — muito provavelmente contra a capital [ucraniana] e prédios do governo”. França e Alemanha apoiam a Ucrânia afirmando que não é verdade as afirmações da Rússia.
Questionado sobre as alegações de Moscou, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que soube delas pelo próprio Putin e que isso o deixou “muito irritado. É um momento muito delicado”, disse Trump a jornalistas, referindo-se às negociações de paz na Ucrânia, ao receber o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em sua residência particular em Mar-a-Lago, na Flórida, em 29 de dezembro. Porém, não há provas ou imagens, até agora.
Trump destacou que se recusou a fornecer à Ucrânia os mísseis Tomahawk que Kiev solicitava para atingir alvos militares russos e incapacitar a capacidade das forças armadas russas de realizar ataques terrestres e aéreos. “Uma coisa é ser ofensivo, porque eles são ofensivos. Outra coisa é atacar a casa dele. Não é o momento certo para fazer nada disso”, acrescentou o presidente americano.
A alegação russa surgiu um dia depois de Zelensky e Trump terem alardeado o que disseram ser progresso em uma reunião na Flórida, com o presidente americano — que falou por telefone com Putin horas antes do encontro — afirmando que um acordo de paz para pôr fim à invasão em grande escala, que já durava quase quatro anos, poderia estar “mais próximo do que nunca”. Moscou sinalizou que não está preparada para fazer concessões substanciais.
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