

A compra dos Gripen E da FAC está sob escrutínio. A Controladoria-Geral da República (CGR) da Colômbia anunciou que irá avaliar a documentação para identificar quaisquer riscos, irregularidades ou perdas financeiras potenciais. A CGR, equivale ao Tribunal de Contas (TCU) no Brasil.
A reunião técnica realizada na quarta-feira, 3/12 entre a Controladoria-Geral da República e o Ministério da Defesa marcou o início de uma revisão minuciosa da aquisição das aeronaves Saab Gripen E. Durante a reunião, o Controlador-Geral Carlos Hernán Rodríguez solicitou informações ao Ministro da Defesa, Pedro Sánchez sobre os termos e condições em que foram celebrados o contrato com a empresa Saab.
Os detalhes vão desde os custos individuais de cada componente do contrato, incluindo aeronaves, simuladores, armamentos até o treinamento de pilotos e técnicos. Segundo o órgão, o objetivo é garantir a transparência do acordo.
O Gabinete do Controlador Geral também informou que coordenará a análise com o Gabinete do Procurador-Geral, que solicitou informações semelhantes em resposta a questionamentos sobre o alto custo dos 17 caças. A esse respeito, afirmou que a análise conjunta entre as duas entidades permitirá a identificação de irregularidades, riscos ou potenciais perdas financeiras.
“Fizemos uma série de perguntas, a maioria das quais foi respondida pelo Ministério da Defesa. Se existirem condições para emitir qualquer tipo de alerta, a Controladoria o fará”, explicou Rodríguez na declaração em que anunciou que apresentará novas perguntas por escrito.

Ao término da reunião técnica, o controlador indicou que a revisão se concentrará em estabelecer as condições das demais propostas em análise, os preços oferecidos pelas empresas internacionais e o método de contratação.
As Dúvidas
A aquisição de 17 caças suecos pelo governo de Gustavo Petro levantou questionamentos sobre o processo de seleção e o custo das aeronaves, especialmente em comparação com outras alternativas, como os F-16 americanos e os Rafale franceses. Por isso, a Controladoria-Geral da República está solicitando uma revisão detalhada dos estudos que levaram o Ministério da Defesa a optar por essa alternativa.
O órgão de supervisão reconheceu a necessidade de adquirir os caças devido à obsolescência dos IAI Kfirs C10/12. No entanto, persistem dúvidas em relação ao contrato de 16,5 trilhões de pesos (€ 3,1 bilhões/US$ 4,387 bilhões) para a renovação da frota da Força Aeroespacial nos próximos anos.
Vale lembrar que a Saab assinou em 14 de novembro um contrato com o governo colombiano envolvendo a encomenda de 17 aeronaves de combate Gripen E/F. O acordo inclui 15 aeronaves de combate Gripen E (monoposto) e duas aeronaves de combate Gripen F (biposto), bem como equipamentos e armamentos associados, treinamento e serviços, com as entregas ocorrendo entre 2026/2030. Inclusive, a encomenda final contemplou um exemplar a mais que originalmente estava previsto, quando da divulgação do acordo em abril de 2025.
O Gripen E/F foi escolhido para substituir os IAI Kfir C-10/12 da Fuerza Aeroespacial Colombiana (FAC), adquiridas em segunda mão na década de 1980, superando os concorrentes Lockheed Martin F-16C/D e Dassault Rafale. O contrato inclui produção das aeronaves na Suécia e no Brasil.

O Ministério da Defesa afirmou que sua decisão decorreu de uma redução considerável nos custos operacionais e de uma vida útil projetada superior a quatro décadas. O presidente Gustavo Petro, por sua vez, explicou que a redução nos custos de peças de reposição e a capacidade de operar o Gripen a partir de pistas mais curtas influenciaram a decisão final.
A CGR será agora responsável por avaliar toda a documentação apresentada pelo Ministério da Defesa, verificando se os critérios técnicos, legais e financeiros foram atendidos na seleção da aeronave Gripen. Além disso, determinará se houve alguma deficiência na comparação com outras opções antes da implementação do contrato e da chegada da aeronave ao país.
Entre no nosso grupo de WhatsApp