

EUA reforçam suas tropas no Oriente Médio e dão um ultimato ao Irã. Desde o fim da bem-sucedida ação na Venezuela, os EUA fixaram seus olhos no Irã e, ao longo destes primeiros 50 dias de 2026, aumentaram e muito sua presença militar na região. Esta semana, o presidente Donald Trump deu um ultimato ao Irã, dizendo que o país “tem até 15 dias para decidir se quer acordo ou guerra“.
Trump está considerando lançar ataques preliminares e limitados contra o Irã com o objetivo de forçar o país a concordar com as exigências americanas para um acordo nuclear.
Os principais assessores de segurança nacional do presidente Donald Trump se reuniram na Sala de Situação da Casa Branca na quarta-feira (19/02), para discutir o Irã e foram informados de que todas as forças americanas destacadas para a região devem estar posicionadas até meados de março. Além disso, o secretário de Estado Marco Rubio deve viajar a Israel para se encontrar com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu no fim de semana de 28 de fevereiro, disse um alto funcionário à Reuters.

Desde o início deste ano, rastreadores de voos online mostram uma intensa movimentação para bases no Oriente Médio. Sempre com a mesma receita, de aeronaves USAF vindas de bases dos EUA e na Europa, basicamente para bases na Jordânia, Catar e Arábia Saudita, além de se posicionar em outras bases no sul do continente europeu. Já aeronaves da US Navy e USMC se dirigiram embarcadas nos porta-aviões e outros navios de guerra.
De acordo com relatos, atualmente na área central de responsabilidade do US CENTCOM (United States Central Command), que inclui o Oriente Médio (incluindo o Egito, na África), a Ásia Central e partes do Sul da Ásia, hoje tem à disposição mais de 100 aviões-tanque de reabastecimento (75 KC-135 Stratotankers e mais de 25 aeronaves KC-46 Pegasus). Vários voos de aeronaves C-17A e C-5M foram feitos para a região, em especial para a Jordânia, Catar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait e Arábia Saudita.

Além de transporte (C-130J/C-5M/C-17A) e reabastecimento em voo (KC-135R, KC-46A e KC-130J), aeronaves que cumprem outras tarefas como patrulha marítima, EW, ELINT, ISR, SIGINT, SOP e C-SAR estão na região do USCENTCOM e do USEUCOM. Vetores como E-11A, EC-135, RC-135W, WC-135, RQ-4, MV-22B, MC-130J, HC-130J e P-8A estão espalhados por várias bases, desde Rota e Moran, na Espanha, passando por Fairford, Mildenhall e Lakenhealth no UK, a Spangdahlem e Hamstein na Alemanha; Aviano e Sigonella na Itália; Rijeka na Croácia.
Porém, o forte do efetivo está no Oriente Médio, em bases como Ali Al Salen (Kuwait), Prince Sultan (Arábia Saudita), Al Udeid (Catar), Al-Dhafra (EAU), Muwaffaq Salti (Jordânia) e Muharra (Bahrein). A principal força de ataque está concentrada na Jordânia, onde os caças estão mantidos. As demais bases abrigam aeronaves especializadas e de transporte.

Nesta janela, a USAF enviou mais de 130 caças para a área. Ao longo de janeiro e fevereiro, puderam ser vistos translados como o de 12 F-15E Strike Eagles da 48th FW da RAF Lakenheath (EGUL) que foram enviados para a Base Aérea de Muwaffaq Salti (OJMS), na Jordânia, entre 6 e 11 de janeiro. Desde então, caças A-10C, F-16C/D, F-22A e F-35 foram vistos cruzando o Atlântico rumo à região.

Dados de rastreamento de voos online mostram que pelo menos uma dúzia de caças F-22 partiram da Base Aérea de Langley, na Virgínia, no início da manhã de 17/02, rumo ao leste. Seu primeiro destino foi a RAF Lakenheath, no Reino Unido, um importante centro de trânsito para aeronaves entre os EUA e o Oriente Médio. Após, seguiram para a Jordânia.
Os Raptors ajudaram a proteger os bombardeiros furtivos B-2A Spirit durante a Operação Martelo da Meia-Noite, em junho passado, contra instalações nucleares iranianas. Talvez seja este o papel deles novamente, em um eventual emprego dos Spirits novamente sobre o Irã. Vale ressaltar que, quatro dias antes da Operação Martelo da Meia-Noite, os F-22 realizaram uma travessia semelhante pelo Atlântico e participaram da missão.
Nesta semana, os Estados Unidos estão retirando grande parte de seu poder aéreo planejado, incluindo os caças F-35 e outros recursos aéreos, do exercício Cold Response 2026 da OTAN, um exercício anual da aliança que ocorre no início ou meados de março no norte da Noruega, devido ao aumento das tensões com o Irã, disseram autoridades de defesa norueguesas a Fremover.

O Departamento de Guerra dos EUA passou a semana mobilizando uma força considerável na Europa e no Oriente Médio, com a chegada de mais de 100 aeronaves somente nesta semana, em meio à crescente tensão com o Irã.
Atualmente estão na área da Europa/U.S. European Command:
Oriente Médio/US Central Command:

Nas últimas semanas, aeronaves de reconhecimento, AEW&C, ISR e ELINT estiveram voando na região, preparando, coletando dados e testando a capacidade de resposta do Irã. Há também pelo menos um avião espião U-2 Dragon Lady a caminho da região. Não há informações de seus voos, mas o deslocamento de uma aeronave deste nível significa apenas uma coisa. Voos de reconhecimento diretamente sobre o Irã.
Já no mar, a US Navy cercou o Irã com dois porta-aviões nucleares. O USS Abraham Lincoln (CVN 72), postado na Mar Arábido, na entrada do Golfo Pérsico, e o USS Gerald R Ford (CVN 78) que chegou esta semana à região, postado do lado oposto, no Mar Mediterrâneo. Cada navio, com seu grupo de batalha de três destróieres e um submarino nuclear, tem a bordo 75 aeronaves de 9 esquadrões.

O CVN 72 está com a CVW-9 a bordo, com dois esquadrões de F/A-18E (VFA-14 e VFA-151), um esquadrão de F/A-18F (VFA-41), um de EA-18G (VAQ-133), um de F-35C (VMFA-314); um esquadrão AEW com E-3D (VAW-117), um esquadrão logístico de CVM-22B (VRC-30) e dois de helicópteros Sea Hawk (HSC-14 e HSM-71).
O CVN 78, que saiu da ação contra a Venezuela logo na virada do ano, tem a bordo a CVW-8 composta por três esquadrões de F/A-18E (VFA-31, VFA-37 e VFA-87), um de F/A-18F (VFA-213), um de EA-18G (WAQ-142), um de E-2C (VAW-124), um logístico de C-2D (VRC-40), além de dois de Sea Hawk (HSC-9 e HSM-70).

Em conjunto, a USAF está trabalhando em uma força combinada com a Força Aérea Israelense, visando possíveis ações em conjunto. Israel é o maior interessado em anular o programa nuclear do Irã, já tendo tentado isto no ano passado, em junho, quando realizou ataques às instalações de defesa e nucleares do país persa.
Porém, um ataque com a participação direta de Israel pode criar uma situação complicada frente aos demais países da região. Por mais que a repressão dos protestos por parte do regime dos aiatolás tenha gerado desconforto, por causar mais de 30 mil mortes, a intervenção direta de Israel poderá pôr em risco acordos de paz já firmados com países árabes e sepultar de vez outros acordos ainda em construção.

Essa intensificação das tensões ocorre em meio a mais uma rodada de negociações de paz entre Washington e Teerã, que terminou na manhã de terça-feira (17/02), horário do leste dos EUA.
Existe também a possibilidade da Jordânia ter emitido sua declaração para um público interno, receoso de uma guerra com o Irã, especialmente se isso significar lutar ao lado de Israel. É possível ainda que a mensagem tenha o objetivo de evitar um ataque retaliatório maciço do Irã, mas o acesso dos EUA às bases e ao espaço aéreo pode ser permitido clandestinamente, mesmo que de forma limitada.

O Irã se prepara
Enquanto os EUA reforçam seus recursos, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) fechou o Estreito de Ormuz para um exercício com munição real, informou a mídia estatal. Esta é a primeira vez que o Irã fecha partes do Estreito desde que Trump ameaçou o país com uma ação militar em janeiro.
Denominados “Controle Inteligente do Estreito de Ormuz”, os exercícios começaram na segunda-feira (16/02) e incluem o lançamento de mísseis de cruzeiro antinavio contra alvos, além de operações realizadas por unidades navais da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e submarinos, com origem nas três ilhas iranianas, segundo a mídia iraniana.
“Os drones armados usados no exercício — capazes de atingir alvos aéreos e marítimos — estão entre as plataformas estratégicas mais recentes da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica e são implantados em grande número, embora seus nomes e especificações técnicas permaneçam classificados”, afirmou a agência de notícias oficial iraniana FARS.
Além disto, o Irã anunciou o exercício da Zona de Segurança Marítima 2026 no Estreito de Ormuz, onde Rússia, China e Irã enviarm seus navios, que em 19/01 fecharam a passagem marítima por algumas horas. O exercício, considerado surpresa, foi uma demonstração de força com uso de mísseis, drones e artilharia naval.

Nikolai Patrushev, um dos principais assessores do presidente russo Vladimir Putin, descreveu a operação como parte de uma disputa maior entre os EUA e a aliança BRICS, um grupo informal de 21 nações que inclui Rússia, China e Irã. Patrushev criticou os esforços em curso dos EUA e da OTAN para apreender petroleiros carregados com petróleo russo, bem como as tensões persistentes entre Washington e Teerã.
O Irã poderia fechar o Estreito, um ponto de estrangulamento estrategicamente importante por onde passa cerca de 20% do petróleo bruto mundial. Em um discurso na manhã de terça-feira, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Sayed Khamenei, fez uma ameaça contra navios de guerra dos EUA.
“Ouvimos constantemente que eles enviaram um navio de guerra em direção ao Irã”, disse Khamenei. “Um navio de guerra é certamente uma arma perigosa, mas ainda mais perigosa é a arma capaz de afundá-lo”. O líder iraniano não ofereceu detalhes sobre qual arma foi usada.
Enquanto isso, com ambos os lados demonstrando hostilidade, as negociações indiretas na Suíça, mediadas por Omã, terminaram na terça-feira com um acordo sobre um “conjunto de princípios orientadores”, segundo o ministro das Relações Exteriores do Irã. Abbas Araghchi afirmou que ambos os lados concordaram em trocar versões preliminares de um possível acordo. No entanto, Araghchi “foi tão otimista quanto vago, oferecendo pouca clareza sobre o que foi discutido ou quando a próxima rodada de negociações poderá ocorrer”, observou o The New York Times.

Ainda assim, persiste um grande abismo entre Washington e Teerã. Trump não quer que o Irã possua armas nucleares ou a capacidade de construí-las, enquanto Araghchi “enfatizou que o direito do Irã de usar energia nuclear para fins pacíficos é inerente, inegociável e juridicamente vinculativo”, segundo a agência de notícias oficial iraniana IRNA .
Em entrevista à Fox News na terça-feira, o embaixador dos EUA na OTAN, Matt Whitaker, disse que o governo Trump está disposto a negociar, mas lembrou o que Trump disse a repórteres a bordo do Air Force One na segunda-feira: que “seria um dia muito ruim para o Irã” se o país decidisse não chegar a um acordo.
Embora essas negociações possam estar avançando para uma nova rodada, lembre-se de que, três dias antes do Midnight Hammer, a Casa Branca afirmou que Trump decidiria “em duas semanas” se atacaria ou continuaria negociando. A situação parece se repetir e o prazo de “X dias” pode ser apenas uma data para “ingleses verem”.
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