

Rússia muda liderança na Tupolev e dá sinais de crise na produção de bombardeiros. O governo russo recentemente mudou a direção executiva da Tupolev, sua principal fábrica de bombardeiros e aeronaves estratégicas. Foi destituído do cargo Aleksandr Bobryshev, de 76 anos, e em seu lugar foi nomeado o jovem Yuri Ambrosimov, de 37 anos.
De acordo com fontes ouvidas pelo jornal ucraniano Defense Express, a alteração aconteceu em meio a pressão do Ministério da Defesa sobre a empresa, principalmente por importantes atrasos no cumprimento dos prazos em contratos firmados. A última mudança no comando da Tupolev ocorreu em 2024.

A Tupolev produz os principais bombardeiros estratégicos russos, Tu-22M3, Tu-160 e Tu-95MS, bem como o jato comercial Tu-214. Além de produzir aeronaves, a empresa realiza projetos de modernização dos bombardeiros. Sua principal instalação é a Fábrica de Aeronaves de Kazan.
Em maio de 2025, o Tribunal Arbitral de Moscou decidiu a favor do Ministério de Defesa, condenando a Tupolev a pagar cerca de 3 bilhões de rublos em um processo iniciado no ano anterior. Em junho de 2025, o Ministério entrou com um novo processo pedindo um ressarcimento no valor de 900 milhões de rublos, referente a outras obrigações não cumpridas pela fabricante.

Segundo a reportagem, esses processos estão ligados a atrasos nos projetos de modernização e de manutenção dessas aeronaves estratégicas. Dados de fontes abertas indicam que um Tu-160M custa cerca de 15 bilhões de rublos, enquanto os reparos ou a modernização de um Tu-95MS variam de 3,77 a 5,3 bilhões de rublos por aeronave. Estima-se que os 3,9 bilhões de rublos reivindicados judicialmente cobrirem, no máximo, a revisão geral de um Tu-95MS.
Atrasos na entrega de aeronaves também afetaram importantes programas de aviação estratégica da Rússia. Dos quatro bombardeiros Tu-160M produzidos em Kazan entre 2022 e 2023, e que deveriam ser recebidos em 2025, apenas dois foram entregues no início deste ano.

O programa de modernização do Tu-22M3M também avança lentamente. Apenas duas aeronaves foram modernizadas, uma em 2018 e outra em 2023, apesar das declarações anteriores da Tupolev sobre os seus planos de modernizar até 30 bombardeiros.
A produção de aeronaves civis enfrenta problemas semelhantes. A Tupolev planejava entregar três Tu-214 em 2023, mas não entregou nenhum. Em 2024, o plano previa dez aeronaves, mas apenas uma foi entregue. Esses atrasos levaram a processos judiciais por parte dos clientes, incluindo uma ação de 6,2 bilhões de rublos movida pela empresa russa Tatneft por aeronaves não entregues.

O programa Tu-214 chamou a atenção porque a aeronave é produzida na mesma fábrica que os bombardeiros estratégicos russos. Analistas russos defenderam no passado a adaptação do jato comercial em plataforma militar, capaz de transportar os mísseis de cruzeiro Kh-101 ou Kh-22.
As frequentes mudanças na gestão da Tupolev sugerem que as autoridades russas reconhecem problemas na capacidade de produção nessa importante indústria de aviação do país. Com as mudanças nos principais cargos de liderança da Tupolev, o governo mostra que está buscando corrigir importantes problemas na cadeia industrial de defesa do país.
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