

Saab faz uma nova oferta ao Canadá: 72 Gripen E + 6 GlobalEye e até 12.600 empregos. Saab apresentou uma proposta ao Canadá para o fornecimento de 72 aeronaves Gripen E e seis aeronaves de alerta aéreo antecipado GlobalEye, em troca da geração de cerca de 12.600 empregos no Canadá.
A empresa afirmou que a compra desse pacote conjunto poderia gerar cerca de 12.600 empregos no Canadá. A proposta está sendo analisada enquanto o Canadá reavalia a compra do Lockheed Martin F-35A anunciada em 2022, ao mesmo tempo que avalia opções do mercado de defesa com base em critérios operacionais e industriais.
O assunto Gripen Canada já vem tomando corpo desde 2025, como noticiamos aqui. A revisão na esteira de uma série de problemas técnicos e de custos do F-35A em especial do Bloco 4 e políticos, alimentados por declarações de fazer do Canadá, parte dos EUA.
Em março de 2022, o Canadá anunciou a intenção de adquirir 88 caças F-35A Lightning II para substituir sua frota envelhecida de CF-18 Hornet. A decisão foi confirmada em janeiro de 2023, quando Washington concedeu sua aprovação por meio do seu Programa de Vendas Militares Estrangeiras (FMS). Estimado em CAD 19 bilhões, o contrato prevê a entrega progressiva do primeiro lote de aeronaves entre 2026 e 2027.
O Gripen E e o GlobalEye se complementam, combinando um caça multimissão e uma plataforma de vigilância e controle. A proposta também esclarece que a produção de ambos os tipos de aeronaves são necessários para atingir o número de empregos estipulado. O componente industrial da proposta centra-se na produção de aeronaves no Canadá, tanto para uso nacional quanto para mercados de exportação, com centros de produção planejados em Ontário e Quebec, apoiados por uma rede de fornecedores pan-canadense.

A Saab apontou para a demanda externa, incluindo a Ucrânia, que manifestou interesse em mais de 100 aeronaves Gripen, e potenciais clientes da GlobalEye no Egito, França e Alemanha, indicando que tudo poderia ser Made in Canada. Seria a segunda planta de Gripen fora da Suécia, já que existe a linha de montagem no Brasil, em Gavião Peixoto–SP. Naturalmente seria uma concorrência direta a Embraer.
Por outro lado, a posição da Lockheed Martin é que a manutenção do pedido integral de 88 aeronaves F-35 geraria US$ 15 bilhões em empregos para o Canadá, com discussões entre a empresa e o governo canadense em andamento durante o período de revisão. No momento, o Canadá avalia a credibilidade, a escala e a sustentabilidade a longo prazo dos compromissos de emprego e fornecimento associados a cada opção.

O debate se desenrola em um contexto de crescentes gastos com defesa, com a previsão de aumento de 82 bilhões de dólares nos gastos canadenses com defesa nos próximos cinco anos, e o governo federal buscando maximizar os retornos econômicos internos desse crescimento.
A nomeação de Christiane Fox como vice-ministra do Departamento de Defesa Nacional foi interpretada em Ottawa como um sinal de mudança na abordagem de aquisições. Ao mesmo tempo, surgiram preocupações de que o tamanho e a composição da frota de aeronaves devam ser determinados principalmente por requisitos militares, incluindo a questão de se as aeronaves Gripen, de fabricação sueca, poderiam ser totalmente integradas aos sistemas de defesa vinculados ao Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte (NORAD), caso o Canadá mantivesse apenas um número limitado de F-35A (o lote inicial é de 16 unidades) ou optasse por uma frota 100% Gripen.
O temor de Washington é que Ottawa diversifique sua frota de caças combinando o F-35 com uma aeronave europeia, como o sueco Saab Gripen. Autoridades americanas consideram os altos custos operacionais ao operar plataformas diferentes e o complexo processo de revisão das negociações comerciais em andamento entre os dois países.
Vale lembrar que o Canada é um dos investidores do projeto Gripen.
Entre no nosso grupo de WhatsApp
@CAS