

Em meio aos protestos sociais o Irã adverte que qualquer ação militar dos EUA será revidada com força. O Irã emitiu ontem (11), um aviso aos Estados Unidos e a Israel que atacará instalações militares, navios comerciais e o território israelense, caso alguma operação militar conjunta ocorra em meio aos protestos antigovernamentais que assolam o país.
A ameaça foi feita pelo presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, em discurso transmitido pela televisão estatal. “Em caso de um ataque militar dos Estados Unidos, o território ocupado e os centros militares e de transporte marítimo deles serão nossos alvos legítimos”, afirmou Ghalibaf. O Irã se refere à Israel como “território ocupado”, por considerar a região como território palestino.
As declarações foram feitas enquanto as autoridades continuam a enfrentar a maior onda de protestos sociais nos últimos anos. As manifestações antigoverno se espalharam pelas principais cidades, com a polícia realizando inúmeras prisões e grandes operações de repressão. Há relatos que o número de mortos ultrapassou uma centena.

O alerta reflete o esforço de Teerã para dissuadir qualquer ação dos EUA depois que o presidente Donald Trump afirmou que estão “prontos para ajudar” os manifestantes e ameaçou repetidamente intervir caso as forças iranianas intensifiquem sua resposta. Trump também advertiu a alta cúpula iraniana contra o uso da força, afirmando que está monitorando a situação de perto.
Os protestos começaram no início deste mês em meio a dificuldades econômicas e à indignação pública com as políticas governamentais. Vídeos que circularam nas redes sociais mostram multidões confrontando as forças de segurança, embora a mídia estatal iraniana tenha divulgado poucas informações sobre a dimensão das manifestações.
O alerta de Ghalibaf é a declaração mais contundente de Teerã desde o início dos protestos. Ele reforça a posição iraniana de que qualquer ação militar dos EUA desencadearia um confronto mais amplo, com bases e ativos navais americanos explicitamente incluídos na lista de alvos. A menção a Israel reflete a doutrina iraniana de longa data que considera o país uma presença hostil alinhada aos interesses estratégicos dos EUA.

Em junho passado, o Irã e os Estados Unidos entraram em conflito indireto durante a guerra de 12 dias entre Israel e Irã, quando as forças americanas atacaram instalações nucleares iranianas nos últimos dias do conflito. Teerã tem reiteradamente alertado Washington contra um novo envolvimento militar na região, classificando qualquer ação desse tipo como interferência nos assuntos internos iranianos.
Em Teerã, autoridades governamentais continuam a descrever os protestos como apoiados por estrangeiros e afirmam que as forças de segurança estão agindo dentro da lei. Ativistas e grupos de direitos humanos contestam essa posição, citando o elevado número de vítimas e relatos de táticas policiais agressivas.
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