

Piloto de F-16 ucraniano fala sobre a rotina da guerra aérea. A Força Aérea Ucraniana (UAF) recentemente divulgou uma entrevista com um piloto de F-16AM/BM. O militar falou sobre os vários aspectos operacionais do caça e as dificuldades iniciais para absorver rapidamente as doutrinas ocidentais em meio a guerra com os russos.
A transição das aeronaves da era soviética para os caças ocidentais – particularmente os F-16 e os Mirage 2000 – teve inúmeras barreiras para os primeiros pilotos ucranianos. Começando pelo treinamento no exterior (Europa), a língua inglesa obrigatória e a necessidade vital de ter que incorporar rapidamente um novo sistema de armas para empregá-los em combates reais.

“O início foi muito difícil… a maioria de nós tem formação de de voo no sistema soviético. Agora estamos gradualmente tendo que fazer a transição para os padrões ocidentais. Há várias etapas a serem cumpridas, desde dominar aspectos técnicos até aprender rapidamente as regras de voo no espaço aéreo estrangeiro”, explicou o piloto, acresentando que “…até então, voávamos em um espaço aéreo todo nosso e sem restrições. Portanto, foi essencial entender todos os procedimentos para evitar incidentes perigosos em voo”
Além dos aspectos operacionais e táticos dos caças, os pilotos ucranianos tiveram que aprender e dominar linguagem padrão e os principais procedimentos internacionais empregados pelo Controle de Tráfego Aéreo europeu.

“O início foi difícil, mas sabíamos que estavam nos esperando em casa, com o inimigo bombardeando nossas cidades, matando nosso povo e tomando nossas terras. Foi por isso que perseveramos nessa jornada, cerrando os dentes até o fim”, disse o piloto entrevistado em local não identificado, com rosto coberto e sem as bolachas no uniforme.
As imagens mostram alguns F-16 da UAF completamente equipados e armados combate. Épossível identificar mísseis ar-ar de curto alcance AIM-9 Sidewinder L/M (4 a 6 por aeronave); mísseis de médio alcance AIM-120 AMRAAM; sistemas de auto-protecção Terma sob a asa, pods de mira avançada AN/AAQ-33 Sniper (ATP) empregados com os foguetes de 70mm guiados por laser APKWS II usados para derrubar drones; e o pods de guerra eletrônica AN/ALQ-131 com imagens desfocadas para evitar a identificação. Os F-16 ainda contam com um canhão de 20mm M61A1 “Vulcan” com capacidade de 511 cartuchos.

Quando a Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, havia grande dúvida sobre a capacidade das Forças Armadas Ucranianas conseguirem deter um inimigo tão poderoso. “A Força Aérea foi a primeira a suportar o impacto. Demos nossas vidas e lutamos, mesmo desacreditados por todos… entramos nos cockpits, voamos até as colunas inimigas, localizamos e destruímos. Nem mesmo nossos aliados acreditaram que estávamos fazendo isto com antigos aviões soviéticos”, explica o piloto, referindo-se à frota inicial da UAF composta basicamente por velhos Su-24, Su-25, Su-27 e MiG-29.
“Claro que no início sofremos muitas baixas, mas não desistimos. Continuamos lutando e usando as armas que tínhamos, pois não havia outra escolha. Isto levou os países ocidentais a acreditar em nós, e nos oferecerem armamentos tecnologicamente mais avançados, como os F-16”, explicou o Oficial aviador ucraniano.

“Fomos os primeiros a voltar e entrar em combate. Em agosto [16/08/2025], realizamos as primeiras missões reais com resultados significativos. Em cada surtida, mísseis inimigos são lançados contra o nós… houve casos em que um dos nossos pilotos destruiu seis mísseis de cruzeiro em um único voo.”
Contudo, as coisas também não foram fáceis na volta, pois perceberam que as táticas da OTAN, baseadas nas experiências de guerras anteriores, eram inadequadas para o atual conflito. “Esta guerra é fundamentalmente diferente daquelas travadas pelos nossos aliados. Nossos pilotos tiveram que pensar em novas táticas para destruir mísseis de cruzeiro, aviões e drones, além combater o inimigo perto das linhas da frente.”

Com o passar do tempo, as operações foram voltadas principalmente para abater drones e mísseis, com mais de 1.600 missões com mais de mil alvos destruídos, além dos ataques contra alvos terrestres.
“Quando realizamos um ataque terrestre, sabemos que os nossos soldados estão lá embaixo nas trincheiras. É difícil para eles, precisam da nossa ajuda e devemos apoiá-los. Portanto, esta é uma de nossas principais tarefas. Em cada voo, o nosso maior risco é sermos atingidos por um míssil inimigo”.

O acúmulo de experiência com os caças ocidentais permitiu maior capacidade e flexibilidade operacional, com implantações em locais remotos e inesperados. “Podemos partir de uma base e concluir a missão, pousando em um aeródromo diferente para dificultar ao inimigo localizar a posição das nossas aeronaves. Além disto, estamos fornecendo suporte de manutenção contínua para esses aviões, que são operandos de dia e a noite, mesmo sob condições meteorológicas adversas”, afirmou o Oficial.
Hoje realizamos uma missão de combate na região de Donbas. O inimigo tentou nos intimidar. Concentraram suas forças, atacando-nos no ar, principalmente, e também em terra com mísseis antiaéreos., relatando a importância dos F-16 em missões de ataque contra defesas antiaéreas no solo. “Isso permite que todo o grupo retorne em segurança à Base, ao Esquadrão e, principalmente, às nossas famílias.”
A linha de frente está fortemente saturada com sistemas de mísseis antiaéreos e componentes aéreos, incluindo aeronaves interceptadoras russas como o Su-35, o Su-57 e os MiG-31 que ficam aguardando os caças ucranianos.

“Voamos baixo por para ficar longe dos mísseis antiaéreos. Também empregamos táticas de manobra quando aeronaves inimigas nos atacam, nos engajam e lançam seus mísseis ar-ar. Quase todas as missões são recebidas com mísseis inimigos. Apesar de tudo, completamos a missão, cientes do dos riscos”, diz ele, acrescentando que os F-16 são “aeronaves muito eficazes com sistemas de mira e armamentos perfeitos”, ressaltando que se tivessem a versão mais avançada como o Block 70 ou 72, poderiam abater aeronaves inimigas mais facilmente.
Mesmo assim os pilotos de F-16 da Força Aérea Ucraniana tem a certeza de que seus parceiros internacionais os veem com respeito, mesmo diante das condições operacionais limitadas. “Posso dizer que eles estão aprendendo conosco, especialmente com as nossas táticas que estão sendo integradas as deles.”
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