
Twenty-five F-35A Lightning IIs assigned to the 354th Fighter Wing prepare to launch during exercise Arctic Gold 21-2 April 7, 2021, at Eielson Air Force Base, Alaska. Arctic Gold evaluated the 354th FW’s ability to effectively generate aircraft and deploy personnel and cargo from across the wing. (U.S. Air Force photo by Senior Airman Beaux Hebert)

Pentágono questiona a sustentabilidade do programa F-35. O Inspetor-Geral do Departamento de Defesa concluiu que os mecanismos de manutenção do Lockheed Martin F-35 americano sofrem de supervisão inadequada.
As conclusões indicam problemas que vão além do desempenho individual ou de deficiências gerenciais, apontando, em vez disso, para fragilidades sistêmicas mais amplas que afetam diretamente a eficácia operacional do programa de aeronaves de combate mais avançado dos Estados Unidos.
A auditoria indica que a frota de F-35 estava praticamente em solo em 50% dos casos, com uma disponibilidade média de aproximadamente 50%. Isso significa que a USAF pode operar somente uma a cada duas aeronaves disponíveis. Esse número contradiz a ideia inicial do programa Joint Strike Fighter (JSF), que previa uma única aeronave principal com diferentes configurações para missões distintas, visando contornar os limites de prontidão. Esses números estão abaixo das expectativas mínimas de disponibilidade estabelecidas pela USAF, US Navy e USMC.
Apesar dessas deficiências, o Departamento de Defesa pagou aproximadamente US$ 1,7 bilhão à Lockheed Martin sem aplicar nenhum ajuste econômico. O Inspetor Geral observou que os pagamentos continuaram mesmo que indicadores-chave de desempenho — incluindo as taxas de Capacidade Operacional Plena (FOC), Capacidade Operacional e disponibilidade geral — não atendessem aos requisitos contratuais e de nível de serviço.
É interessante notar também que o programa carece de critérios de desempenho mensuráveis. Essa ausência impede o governo de impor penalidades financeiras à contratada, isto é a Lockheed Martin.
O relatório recomenda a revisão dos contratos de manutenção para incluir metas de desempenho vinculativas e o fortalecimento da autoridade de supervisão ao nível de base. Por outro lado, também reflete um padrão recorrente. Portanto, pode-se afirmar que os problemas são reconhecidos e documentados, porém as ações corretivas permanecem limitadas.
O F-35 é considerado o programa de defesa mais complexo e um dos mais caros da história da aviação militar moderna. Sabe-se que os custos totais de aquisição, operação e manutenção podem ultrapassar US$ 2 trilhões. A aeronave alcançou a Capacidade Operacional Inicial (IOC) e a Capacidade Operacional Plena (POC) em 2015 e 2018, respectivamente. Já se passou quase uma década desde que o primeiro F-35A entrou em serviço operacional contínuo.
Em conjunto, as conclusões da auditoria apontam para uma dinâmica estrutural mais ampla no ecossistema de defesa dos EUA, onde o Pentágono, o Congresso e a indústria de defesa estão intimamente interligados. Nesse contexto, os Estados Unidos podem absorver ineficiências adquirindo aeronaves adicionais para compensar a baixa disponibilidade. Para aliados e parceiros, no entanto, as consequências são muito mais graves. Adquirir uma plataforma com altos custos de manutenção e profunda dependência de logística, software e cadeias de suprimentos controladas pelos EUA significa herdar essas vulnerabilidades sistêmicas desde o início.
A auditoria indica que as deficiências de prontidão estão sendo mitigadas atualmente não por meio de melhorias transformadoras na eficiência de sustentação, mas sim pela expansão da frota para compensar a disponibilidade limitada. Isso coloca o F-35 no centro de um paradoxo persistente: capacidade tecnológica excepcional aliada à sustentabilidade operacional restrita.
Em última análise, o relatório levanta uma questão que vai além da gestão de contratos ou do desempenho técnico. Se o problema está intrínseco ao próprio sistema, pode-se razoavelmente esperar uma melhoria significativa desse mesmo sistema? O Inspetor-Geral não oferece uma resposta definitiva. Como conclusão, a auditoria deixa claro que a suposição de que alguns problemas se resolverão gradualmente com o tempo é uma afirmação infundada. O debate em torno do F-35 já evoluiu para uma discussão mais ampla sobre poder de combate sustentável, soberania em aquisições e os riscos de longo prazo associados à dependência estrutural.
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